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segunda-feira, março 1, 2021
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AM: Após tomar 2ª dose, suspeitos de furar fila da vacina são demitidos

Os dez médicos investigados por suspeita de terem furado a fila da vacinação contra a Covid-19 pediram a exoneração à prefeitura de Manaus. Sete deles foram desligados do posto, conforme publicação do Diário Oficial do Minicípio deste sábado, dia 13.

Eles são citados em uma investigação movida pelo Ministério Público do Amazonas que apura a contratação “fradulenta” dos médicos como “gerente de projetos” no mesmo período em que as primeiras doses da vacina chegaram ao Amazonas. Segundo a promotoria, eles teriam sido contratados por suas “ligações políticas e econômicos-financeiras de apoio político e eleitoral ao atual prefeito (David Almeida, do Avante)”.

No fim de janeiro, a promotoria chegou a pedir a prisão e o afastamento do prefeito e da secretária municipal de Saúde, Shadia Fraxe. O juiz estadual, José dos Santos, no entanto, declinou da competência para julgar o caso, que foi encaminhado à Justiça Federal e caiu num “limbo jurídico”, segundo o promotor do caso, Armando Gurgel Maia. “Tem persistido a ideia de que é desorganização, mas a repetição dos casos mostra que há um indício grave de má fé por parte das autoridades”, disse ele a VEJA.

O promotor acrescentou que as investigações podem alcançar mais gente, tendo em vista que a lista de vacinados apresentada pelas autoridades contém nomes repetidos e CPFs inexistentes, mas que no momento se encontra de “mãos atadas” devido à falta de decisão por parte da Justiça.

Entre os exonerados, estão as irmãs e médicas Gabrielle Kirk Lins e Isabelle Kirk Lins, que fazem parte de uma família influente de Manaus dona de hospitais e universidades particulares. Além delas, também aparece o médico David Dallas, filho do ex-deputado estadual Wanderley Dallas. Eles foram exonerados do cargo “a pedido” depois de receberem a segunda dose da vacina contra a Covid-19.

A imunização dos médicos recém-formados e recém-contratados gerou forte revolta entre os profissionais da saúde de Manaus, pois eles chegaram a receber a vacina antes do que médicos e enfermeiros que estavam atuando em hospitais colapsados durante a crise do oxigênio, como o Delphina Aziz e o 28 de agosto.

Tanto a prefeitura como os médicos negam as irregularidades. O prefeito se disse “profundamente indignado” com o pedido de prisão, que considerou “ilegal e arbitrário”. As médicas, por sua vez, disseram que foram convocadas a se vacinar e que atuam na linha de frente do combate à Covid-19.

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