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segunda-feira, março 8, 2021
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Antes da prisão, Daniel Silveira planejava o Senado em 2022

Preso na noite de terça-feira 17 pela Polícia Federal, o deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) tinha planos de se candidatar ao Senado em 2022. VEJA apurou que, para isso, uma das estratégias do parlamentar, eleito há dois anos com 31 789 votos, era conquistar mais visibilidade desferindo ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nas redes sociais e, assim, agradar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ilustre desconhecido até o pleito de 2018, Silveira ganhou repercussão após quebrar uma placa em homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco (PSOL).

De acordo com pessoas próximas a Daniel Silveira, ouvidas por VEJA, o deputado acreditava que pavimentaria seu caminho ao Senado protagonizando polêmicas em série. O parlamentar, no entanto, não imaginava que sua metralhadora verbal anti-Supremo faria o ministro Alexandre de Moraes mandar prendê-lo. Na quarta-feira 17, por unanimidade, o STF decidiu manter a decisão de Moraes. “O Daniel não acreditou que seria preso. Fez tudo para aparecer, mas passou do ponto e, agora, viu que o jogo é pesado”, diz um aliado do político.

Silveira está detido na sede da PF no Rio de Janeiro. O deputado foi preso em Petrópolis, na Região Serrana, onde mora e tem base eleitoral. Ele não está na cela. Permanece em um alojamento destinado aos policiais federais sem telefone celular. Dos aliados mais próximos, apenas os deputados estaduais Major Fabiana e Anderson Moraes, ambos do PSL, estiveram no local para vê-lo e prestar apoio. Em frente à Superintendência, no Centro do Rio, houve confusão. Bolsonaristas agrediram um homem que segurava uma placa com o nome de Marielle Franco.

O deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) viaja nesta quarta-feira para Brasília, com a esperança de convencer os parlamentares a salvarem o mandato de Silveira. “Vou conversar com os líderes partidários. Ele pode ter cometido excesso, mas cabe apenas à Câmara julgá-lo no Conselho de Ética. Não podemos nos curvar ao STF”, afirmou Jordy. O presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), ainda quer convencer o ministro Alexandre de Moraes a revogar a prisão antes de pôr o tema em votação no plenário. Silveira é alvo de dois inquéritos no STF: o que apura o envolvimento de diversas pessoas e políticos com atos classificados como antidemocráticos e o que investiga fake news. Relator de ambos os casos, o ministro Alexandre de Moraes expediu a ordem de prisão no âmbito do inquérito sobre notícias falsas.

Trajetória conturbada

Com uma passagem turbulenta de menos de seis anos pelos quadros da Polícia Militar fluminense, Daniel Lúcio da Silveira, de 38 anos, foi excluído dos quadros da corporação em 4 de outubro de 2018 – mesma data em que sua imagem viralizou nas redes sociais quebrando a placa de Marielle junto ao amigo pessoal e deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) e ao governador afastado Wilson Witzel (PSC). Sempre foi soldado, sem jamais ter escalado na hierarquia da PM. Com dez anos de serviço militar, deixou a corporação para se candidatar. “A passagem dele foi breve. Ele não recebe mais salário, não faz mais parte da PM”, disse a VEJA o major Ivan Blaz, porta-voz da corporação.

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Meses antes, em boletim interno, a PM classificara como “mau comportamento” as atitudes do então soldado Lúcio, como ficou conhecido entre os policiais. A corporação se preocupava com a virulência com que ele atacava jornalistas em vídeos divulgados no Facebook, quando aparecia trajando farda dentro da viatura policial. Diz o boletim da PM: “(Daniel Silveira) erodia preceitos éticos em vigor na Polícia Militar e repercutia negativamente a imagem da corporação”.

Ainda de acordo com o documento, em sua rápida carreira na PM, entre 2013 e 2017, ele chegou a ficar preso por 80 dias, receber 14 repreensões e acumular mais duas advertências – 96 sanções no total. Essas transgressões tornaram “cristalina sua inadequação ao serviço policial militar, mesmo tendo recebido inúmeras oportunidades, confirmando ineficiência do caráter educativo”, segundo o mesmo boletim da PM.

Em 2007, antes de entrar na PM, Silveira registrou sua primeira passagem pela polícia, sob acusação de apresentar atestados médicos falsos quando trabalhava como cobrador de ônibus. O Ministério Público estadual o denunciou ao lado de outros seis colegas de empresa em 2014, mas o caso prescreveu em 2016, sem que nenhum dos envolvidos tenha sido punido.

As passagens policiais – houve outra, dessa vez por uma briga de rua – quase o impediram de ingressar na PM. O setor de pesquisa social, que vasculha a vida pregressa dos aspirantes, recomendou que ele não fosse vetado. O ano era 2010, e Silveira recorreu na Justiça. Ganhou e assim conseguiu fazer parte dos quadros da PM em 2013. No mesmo ano, foram registradas as primeiras infrações com a farda.

Como deputado, Silveira invadiu o colégio Pedro II em outubro de 2019, em São Cristóvão,  Zona Norte do Rio, sem a permissão do reitor da escola federal. Objetivo declarado: “vistoriar” a unidade. De novo, ele estava acompanhado de Rodrigo Amorim. A Polícia Federal chegou a ser chamada, mas eles não foram presos.

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