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terça-feira, abril 20, 2021
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Caso Henry: o passo a passo de um crime bárbaro

Exatamente um mês após a morte brutal do menino Henry Borel, de 4 anos, sua mãe, a professora Monique Medeiros, de 33, e o padrasto, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, de 43, foram presos nesta quinta-feira, 8, numa casa na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Os dois foram indiciados por tortura e homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, sem chance de defesa da vítima. Laudos, provas técnicas e uma troca de mensagens de celular entre a mãe e a babá da criança põem por água abaixo a versão fantasiosa de acidente doméstico.

O DIA DO CRIME

Na madrugada do dia 8 de março, o menino Henry deu entrada no hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, já sem vida. De acordo com o relato dos médicos, ele apresentava um quadro de PCR (parada cardiorrespiratória) e, depois de sucessivas tentativas dos médicos em reanimá-lo, veio a óbito às 5h42. Embora tenha diploma de médico, Dr. Jairinho nem tentou fazer fazer respiração boca a boca ou massagem cardíaca no garoto. Depois, o parlamentar, que nunca exerceu a medicina, viria a dizer que a última vez que fez estes procedimentos tinha sido com um boneco na faculdade.

A EXPLICAÇÃO INICIAL

Ao buscar ajuda no hospital, a mãe, a professora Monique, e seu namorado, o vereador Dr. Jairinho, não deram muitas explicações aos profissionais de saúde que atenderam a criança. Apenas que o encontraram com dificuldade para respirar, gelado e com os olhos revirando. Aos parentes, chegaram a contar inicialmente que o menino tivera um mal súbito.

TENTATIVA DE EVITAR QUE O CORPO FOSSE PARA O IML

Ainda na manhã do dia 8, o vereador fez contato com um executivo da área de saúde pedindo que um médico do hospital fizesse o atestado de óbito, sem que fosse necessário passar por uma necropsia no Instituto Médico Legal. De acordo com o depoimento desse executivo à polícia, o parlamentar falava de forma calma e sem esboçar qualquer nervosismo. O pedido não foi atendido. Os médicos que atenderam o menino, inclusive, orientaram o pai da vítima, o engenheiro Leniel Borel, que fizesse um boletim de ocorrência na polícia por se tratar de um caso suspeito.

VERSÃO DE ACIDENTE DOMÉSTICO DERRUBADA

O laudo preliminar, expedido ainda na noite do dia 8, não condiz com a versão dada pela mãe e o padrasto do menino para o que tinha ocorrido naquela madrugada no apartamento na Barra da Tijuca, para o qual a família se mudou em janeiro. A necropsia atesta laceração hepática e hemorragia interna provocadas por ação contundente. Ainda havia lesões na cabeça e hematomas pelo corpo.

PRIMEIRO DEPOIMENTO DO CASAL

Uma semana após a morte de Henry, Monique e o padrasto do menino prestaram depoimento na 16ª DP (Barra da Tijuca), onde deram versões semelhantes para o ocorrido. A professora contou que os dois tinham adormecido no quarto de hóspedes assistindo a uma série e que ela, ao despertar, teria encontrado o filho caído. Disse ainda que suspeitava que Henry tivesse ficado em pé na cama, se desequilibrado e então vindo ao chão. Dr. Jairinho, em seu depoimento, afirmou que tinha sido acordado pelos chamados de Monique e que antes de ver o que acontecera ainda foi ao banheiro. No hospital, o vereador tinha relatado ao pai do garoto, Leniel, uma versão diferente: que ouviu um barulho feito por Henry vindo do quarto e aí se deparou com o menino passando mal.

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FIM DE SEMANA FELIZ COM O PAI

O pai do menino também prestou depoimento à polícia. Câmeras de um shopping comprovam que Henry estava bem e feliz até ser entregue à mãe, no início da noite do dia 8. O pai passou o fim de semana com o filho, quando esteve na piscina do condomínio onde mora, em uma loja de brinquedos em um shopping e numa festinha infantil de um amigo. Relatou aos investigadores que, como vinha acontecendo desde janeiro, o menino chorava a ponto de vomitar quando tinha que voltar para o apartamento onde a mãe estava vivendo.

AS PERÍCIAS NO APARTAMENTO

A polícia esteve por diversas vezes no apartamento do Condomínio Majestic, na Barra da Tijuca, onde Monique e Dr. Jairinho estavam morando há dois meses. No dia 9 de março, agentes foram ao imóvel para fazer a primeira perícia, mas ao chegarem no local descobriram que uma funcionária do casal já havia limpado tudo. A polícia verificou que Monique não havia contado à empregada o que tinha acontecido e, só na hora do almoço, falou para ela tirar folga. No último dia 1º, policiais fizeram a reconstituição da cena do crime, mas o vereador e a namorada faltaram. O advogado de defesa alegou que Monique estava muito deprimida.

DEPOIMENTOS COMBINADOS

Ao longo de um mês de investigação, mais de 18 pessoas foram ouvidas. Entre elas a mãe de Monique, Rosângela Medeiros da Costa e Silva, que quando perguntada se havia questionado a filha e o vereador sobre o que havia acontecido com o neto, respondeu que “para se poupar, não quis saber detalhes e não se lembra se algum detalhe lhe foi contado”. A babá do menino, Thayná de Oliveira Ferreira, que se revelou após a prisão do casal uma peça chave para elucidar o crime, também prestou depoimento. Nesse primeiro momento, ela relatou que trabalhava em uma família harmoniosa e nunca tinha visto nenhuma agressão. A polícia descobriu que tanto a mãe de Monique quanto a babá da família tinham estado no escritório de defesa e orientadas de como deveriam falar.

O PAPEL CRUCIAL DA BABÁ

Detalhes da investigação, revelados nesta quinta-feira, mostram que a babá Thayná sabia muito mais do que falou em depoimento à polícia.  Investigadores tiveram acesso a uma troca de mensagens entre ela e a mãe do menino, no dia 12 de fevereiro, que mostra que as duas mentiram quando estiveram na delegacia. Na conversa por um aplicativo de celular, Thayná conta à mãe que o padrasto tinha chegado mais cedo em casa, estava trancado com o menino no quarto, com a televisão nas alturas, e que o batia. Depois, Henry relatou ter recebido rasteiras e chutes do padrasto, além de queixar-se de dor no joelho e na cabeça. A troca de mensagens derruba a versão fantasiosa de que a mãe não sabia que o menino era torturado pelo namorado.

A PRISÃO

Um mês após o crime, Monique e o vereador foram presos nesta quinta-feira, por volta das 6h, na casa de uma tia do parlamentar, no bairro de Bangu, Zona Oeste do Rio. Enquanto os policiais entravam na residência, o casal tentou se livrar dos celulares que usavam jogando-os pela janela, mas os aparelhos foram recuperados. No local, a polícia também encontrou mochilas com roupas dos dois, o que levanta suspeita de que estariam planejando fugir.

A INVESTIGAÇÃO CONTINUA

Ainda na manhã desta quinta-feira, policiais cumpriram uma ordem de busca e apreensão na casa da babá Thayná, onde apreenderam, entre outros, o celular usado por ela. O inquérito instaurado na 16ª DP (Barra da Tijuca) ainda não foi concluído. Monique e Dr. Jairinho prestaram novos depoimentos após a prisão. A babá também será convocada para novos esclarecimentos.

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