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CPI da Covid tem 343 pedidos para ouvir de pastor a ministro do STF

Instalada há menos de um mês, no dia 27 de abril, a CPI da Covid no Senado tem uma lista de 343 requerimentos na lista para serem analisados – a maioria pedidos para convocar ou convidar autoridades e especialistas na área da Saúde e a minoria sobre pedidos de informações. Há ao menos 61 situações de solicitações semelhantes. Os pedidos vão desde convite para ouvir o Pastor Silas Malafaia, da Assembleia Vitória em Cristo, à convocação do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O convite para ouvir Malafaia partiu do senador Marcos Rogério (DEM-RO), um dos governistas da comissão, que tem 33 requerimentos pendentes de análise. A justificativa para ouvir o pastor é que, numa discussão sobre a existência de um possível “ministério paralelo da saúde” que atuava em defesa de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, foi falado que Malafaia seria um dos conselheiros do presidente Jair Bolsonaro.

Outro governista, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), foi quem apresentou requerimento de convocação de Marco Aurélio Mello. Foi o ministro quem acolheu parte da ação do PDT contra a Medida Provisória que restringia ao governo federal as competências para determinar o que são serviços essenciais e para limitar a circulação interestadual e intermunicipal de pessoas e mercadorias. Com a decisão, confirmada pela Corte, ficou firmado o entendimento de que estados e municípios também podiam tomar medidas contra a pandemia. Até hoje, Bolsonaro e seus aliados distribuem lamúrias por aí por conta desse julgamento.

Desde as articulações para a CPI, os governistas queriam que o foco fosse nos estados e prefeituras, como uma forma de blindar Bolsonaro e voltar a carga para os inimigos políticos do presidente. Já a oposição mira na ineficiência do Ministério da Saúde em combater a pandemia, na atuação do presidente contra medidas de isolamento e na aquisição de vacinas, além da pregação de Bolsonaro a favor do chamado tratamento precoce, para o qual não há qualquer comprovação científica.

Os parlamentares aliados seguem a estratégia e tentam convocar governadores. Marcos Rogério, por exemplo, quer a presença de João Doria (PSDB-SP), Rui Costa (PT-BA), Helder Barbalho (MDB-PA) e Wilson Lima (PSC-AM) na comissão, para tirar o foco do governo federal e jogar a pressão sobre os estados. Nessa mesma estratégia, o senador Eduardo Girão pediu a convocação do diretor-geral da Polícia Federal,  Paulo Maiurino, para falar das operações contra desvios de verba de combate à Covid-19 que miraram estados e municípios.

Na estratégia contrária, a oposição centra na atuação de Bolsonaro e até de sua família. Senador com mais requerimentos ainda a serem analisados – 79 no total -, Humberto Costa (PT-PE), por exemplo, apresentou requerimento para a convocação do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). O filho Zero Dois do presidente entrou na mira da CPI após duas testemunhas – o ex-ministro Henrique Mandetta e o ex-CEO da Pfizer na América Latina Carlos Murillo – relatarem que ele participou de reuniões cruciais para a obtenção de vacinas.

Há pedidos ainda para ouvir diversos ministros do governo Bolsonaro, como Paulo Guedes (Economia), Walter Braga Netto (Defesa), Anderson Torres (Justiça) e Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União), os embaixadores da China no Brasil, Yang Wanming, e da Rússia, Alexey Labetskiy. Os senadores apresentaram ainda requerimentos de convocação de representantes da empresa White Martins, para falar sobre a falta de oxigênio no Amazonas.

Em paralelo, a CPI da Covid tem recebido diversas respostas de requerimentos em que foram feitos pedidos de informação a órgãos na administração federal, nos estados, prefeituras e até ao Ministério Público Federal. Ao todo, já foram 314 respostas.

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