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segunda-feira, março 1, 2021
Início Brasil Implicância de Bolsonaro com Brandão começou já no primeiro encontro

Implicância de Bolsonaro com Brandão começou já no primeiro encontro

André Brandão, do Banco do Brasil, entrou na mira de Jair Bolsonaro já na primeira reunião, há quatro meses. “Não gostei do cara. Está na conta de vocês”, disse o presidente a Roberto Campos Neto, chefe do Banco Central e padrinho de Brandão, e Paulo Guedes, ao encerrar a conversa em que aceitou nomeá-lo

Quando Rubem Novaes caiu, Bolsonaro foi aconselhado a encontrar um “banqueiro jovem” para dar mudar o comando do BB. Entrou em campo Campos Neto, que conhecia a nova geração de profissionais do mercado. Veio dele o nome de Brandão, que estava nos Estados Unidos e retornou ao país para aceitar a missão.

A primeira conversa com Bolsonaro já não agradou. Além de deixar isso claro, como a cena que abre o texto demonstra, Bolsonaro ficou desconfiado de que o burocrata não teria condições políticas de escapar do assédio petista reinante no BB. Quando viu seu governo confrontado com uma crise por causa do fechamento de agências da instituição país afora, o presidente ficou irritado e viu na ação de Brandão algum interesse político em minar seu governo.

Guedes, Campos Neto e outros ministros tentaram mostrar ao presidente que se tratava não de uma ação contra Bolsonaro, mas uma medida técnica, coerente com as necessidades do banco, mas adotada sem a devida análise política de cenário.

Para piorar a situação de Brandão, em Brasília adversários do banqueiro queimavam sua imagem ao convencer o presidente de que o chefe do BB não se misturava nem se identificava com gente do governo.

Brandão passava, na avaliação de bolsonaristas, muito tempo em São Paulo, jogando tênis, e pouco tempo em jantares e no tradicional beija-mão político da Esplanada.

Essa ausência contrastava ainda com a postura de Pedro Guimarães, da Caixa, sempre próximo a Bolsonaro — um terreno fértil para a mente conspiratória do presidente. Brandão, distante, só poderia ter se juntado com petistas do BB.

A interlocutores, ao negar que a possível troca no BB fosse motivada por toma lá dá cá político, Guedes disse a interlocutores que Bolsonaro não tinha mesmo ido com a cara de Brandão desde o início. “Falta química entre os dois. O santo não bateu”, explicou a um interlocutor.

Esse distanciamento presidencial se agravou quando o Radar revelou, na quarta, a discussão em torno da demissão. Se o presidente decidir manter o banqueiro, muita gente boa no governo terá que trabalhar pesado para reconstruir a relação entre os dois, hoje completamente perdida.

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