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segunda-feira, março 1, 2021
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Inep: Um novo adiamento inviabilizaria a realização do Enem 2020

Depois de muita polêmica e a expectativa de um possível adiamento, o Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, será realizado amanhã, dia 17, e no próximo domingo, 24. VEJA conversou com exclusividade com Alexandre Lopes, presidente do Inep, responsável pela realização e aplicação das provas. A previsão é que 5,6 milhões de estudantes façam o exame amanhã em todo o país, em mais de 14 000 locais. A única exceção fica por conta do Estado do Amazonas, onde a realização do Enem foi adiada para os dias 23 e 24 de fevereiro. Lopes falou sobre os motivos que levaram o governo a não adiar o Enem, o que está sendo feito para garantir a segurança dos candidatos, a expectativa do aumento do número de abstenção e como o exame ajudará o país a medir o impacto da pandemia no ensino em 2020. 

Por que o Inep optou por manter a realização do Enem amanhã (dia 17) e no domingo (24) apesar dos argumentos da Defensoria Pública da União e diante do comprovado aumento de número de casos da Covid-19 no país? A primeira coisa é que não seria viável esperar o fim da pandemia ou a vacinação para aplicar o Enem 2020. Um novo adiamento do exame comprometeria o acesso dos alunos no primeiro semestre de 2021 nas faculdades. Aplicando a prova agora e ainda tendo o Enem digital nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro, os resultados só serão divulgados em 29 de março. Todos os candidatos, fazendo as provas no papel ou digitalmente, concorrerão as mesmas vagas. Então, os resultados precisam sair exatamente no mesmo dia. Com a divulgação das notas no final de março, o processo de matrícula e o ingresso nas instituições de ensino superior se darão em abril. Não teríamos tempo hábil para postergar novamente.

A decisão de manter o Enem mesmo diante da crise sanitária foi tomada unicamente pelo governo? Não. É preciso lembrar que a decisão de realizar o Enem agora foi tomada após reuniões com o Conselho Nacional dos Secretários de Educação, com as entidades que representam as instituições de ensino superior privado e as de ensino público. Não foi um consenso absoluto, mas foi uma decisão conjunta. Apenas o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica foi contra e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior se manteve neutra.

 É possível garantir a segurança dos alunos e dos profissionais que trabalharão nos locais das provas? Que medidas estão sendo adotadas? Nós estamos adotando protocolos de segurança para garantir a tranquilidade tanto das pessoas que vão fazer as provas quanto de quem vai aplicar o Enem. A primeira medida que adotamos para evitar as aglomerações na entrada dos locais de exame foi abrir os portões com meia hora de antecedência (às 11h30). O consórcio aplicador do Enem vistoriou as mais de 14 000 instituições de ensino onde serão aplicadas as provas. Tanto as salas, quanto corredores e banheiros passaram por higienização, alunos e profissionais terão que usar máscaras e haverá álcool em gel disponível. Para manter o distanciamento, o número de candidatos por sala foi reduzido.

Quem estiver com o novo coronavírus ou sob suspeita de estar infectado perderá o Enem deste ano? Como deve proceder?Não será prejudicado. O participante pode entrar na página do participante pelo computador ou no aplicativo de celular, num local que já está disponibilizado desde a última segunda-feira, e solicitar a reaplicação do exame nos dias 23 e 24 de fevereiro. Para isto é preciso juntar uma documentação comprobatória, como o resultado de teste positivo para Covid-19 e laudo médico. Já temos cerca de 10 000 pedidos de reaplicação por conta de doenças infectocontagiosas, incluindo o coronavírus.

Quem morar com parentes mais velhos ou conviver com pessoas do grupo de risco podem usar isso como justificativa para não comparecer à prova?  Esse argumento não dá direito a reaplicação da prova.

O exame tradicionalmente ocorre no mês de novembro e por conta da pandemia foi adiado em dois meses. A expectativa é que Enem 2021 seja mantido em novembro deste ano? Já está certo que será no final deste ano, só não definimos ainda se ocorrerá em novembro ou dezembro.

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É sabido que este ano os alunos tiveram que se adaptar ao ensino à distância e que muitos estudantes da rede pública ficaram sem aulas durante um período. O Inep acredita que o rendimento nas provas será o mais baixo de todos os anos? É difícil estimar isso. Na verdade, um ponto importante do Enem é que ele vai trazer parâmetros, vamos ter como medir o impacto da pandemia no ensino em 2020.  Teremos a chance de comparar os resultados das provas deste exame com as dos anos anteriores, inclusive por disciplinas. Agora, já ocorreram coisas que chamaram nossa atenção. A gente tinha a estimativa que esse ano menos candidatos se inscrevem no Enem e aconteceu justamente o contrário. Na edição anterior (Enem 2019) tivemos 5,1 milhões de candidatos inscritos confirmados. Esse ano são 5 783 000 candidatos inscritos confirmados – 5,6 milhões fazendo as provas impressas e cerca de 96 000 no digital. A gente estima que deva cair a média, mas a prova será importante para mensurar o impacto da pandemia no ensino.

Qual a expectativa de abstenção este ano? Seria a maior também de todos os exames já realizados? A edição do Enem de 2019 teve a menor taxa de abstenção de todos os tempos, me torno de 23%. Historicamente, o percentual de candidatos que faltam gira em torno de 25 % a 27%. Estimamos que este ano essa taxa chegue a 30% ou 35%.

O que está sendo feito para evitar fraudes e o vazamento antecipado de gabaritos, como já ocorreu? Nós não tivemos fraudes nem vazamentos na edição de 2019. Apenas a divulgação de uma foto quando já tínhamos anunciado o tema da redação, o que não comprometeu o processo. A questão da segurança no exame é um processo contínuo, com o de reforço das medidas e adequações permanentes. Tem um trabalho de cooperação com a Polícia Federal o ano todo, incluindo várias investigações em curso. Também há uma troca de informações permanente com outros órgãos de segurança para cada vez mais garantir que nada prejudique o exame.

Além da questão do aumento do número de casos do coronavírus em todo o páis, este ano há o caso específico do Amazonas, que vive uma situação calamitosa com a falta de oxigênio. A Justiça permitiu o adiamento do Enem no estado e o governo federal recorreu. Por que? Nós recorremos porque da maneira que a decisão em primeira instância foi proferida a suspensão das provas deveria ocorrer até o fim do decreto de calamidade pública do estado do amazonas ou o fim da pandemia. Isso impediria a não realização do Enem 2020 no Estado do Amazonas. O pedido da Advocacia-Geral da União era para tirar essa parte da liminar. Com a decisão em segunda instância, já anunciada, o MEC e o governo do Amazonas vão trabalhar juntos para adotar as medidas necessárias para que as provas sejam realizadas em 23 e 24 de fevereiro.

Vários candidatos reclamaram nas redes sociais que ocorreram mudanças nos locais das provas a dois dias da realização do Enem. O que correu? Foi um problema que já está resolvido. Algumas instituições de ensino que tinham se comprometido em ceder o espaço, decidiram em cima da hora não aplicar mais. Mas já contornamos a situação e todos os candidatos podem ver o seu local correto definido na página do participante.

Este ano, pela primeira vez na história, também será aplicado o Enem digital nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. O que isso representará na estrutura do exame? A intenção do governo é que a partir de 2026 não haja mais o Enem em papel, todas as provas serão realizadas pelo sistema eletrônico. Ou seja, o candidato irá até um laboratório de informática, que pode ser numa escola ou faculdade, e lá realizará o exame. Isso reduzirá enormemente a questão logística. Esse sistema também permitirá que possamos fazer várias provas do Enem ao longo do ano.

 

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