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segunda-feira, março 1, 2021
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Projetos sobre polícias testam a influência dos governadores no Congresso

Nas semanas finais de 2018, ainda em transição de governo, Jair Bolsonaro ostentava o discurso eleitoral da nova política, com promessas de conduzir seu governo distante do toma lá dá cá dos partidos, especialmente os do centrão.

A forma encontrada pelo presidente para explicar à audiência como aprovaria temas importantes no Congresso sem negociar com partidos fisiológicos era apostar numa parceria inédita com os governadores. Um novo pacto federativo com dinheiro fluindo diretamente na veia das gestões estaduais.

O governo começou com reuniões ampliadas de governadores com ministros de Bolsonaro e promessas bilionárias de repasses. A razão para o governo Bolsonaro rifar líderes partidários e apostar em governadores naquela ocasião se pautava em uma premissa inconteste: a poderosa influência dos chefes dos Executivos estaduais sobre as bancadas no Parlamento.

A tentativa de governar por meio de parceria estaduais se revelou fracassada desde o início, com Bolsonaro abrindo guerra contra Wilson Witzel e João Doria por receio de fortalecer concorrentes na disputa de 2022. A desconfiança e a disparidade de interesses entre os próprios estados — veja os conflitos da reforma tributária — nunca permitiram amplas parcerias entre os líderes políticos dos estados e o Planalto.

Bolsonaro partiu então para o caminho que na campanha jurou rejeitar. Abraçou os caciques partidários do centrão distribuindo cargos e verbas exatamente como fizeram PT e MDB em governos anteriores — sem os grandes esquemas de corrupção estatal, verdade seja dita.

Com o movimento, Bolsonaro passou a contar com alguma simpatia no Parlamento, mas nunca foi o grande controlador das Casas do Congresso. Os governadores, por sua vez, seguiram onde sempre estiveram: em posição de forte influência sobre deputados e senadores. A peregrinação dos candidatos ao comando das duas casas pelos palácios estaduais nos últimos dias demonstra claramente onde está a influência.

Essa constatação deveria ser o suficiente para fazer os aliados do governo desistirem da empreitada de passar no Parlamento um projeto que retire poderes dos governadores sobre policias estaduais. A bancada da bala é influente, mas acreditar que tenha força para dar uma rasteira em todos os governadores do país…

 

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