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sexta-feira, maio 14, 2021
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Salles ‘tornou legítima a ação dos criminosos’, diz delegado à Câmara

O delegado da Polícia Federal do Amazonas Alexandre Saraiva declarou nesta segunda-feira, dia 26, em depoimento na Câmara dos Deputados que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tentou “legitimar” a ação de criminosos que atuam no mercado ilegal de madeiras extraídas da Amazônia.

Responsável pela Operação Handroanthus, que apreendeu a maior quantidade de toras na região (mais de 220 mil metros cúbicos), Saraiva foi convidado para prestar depoimento na Comissão de Direitos Humanos e de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados após ser tirado do posto de superintendente da corporação amazonense por decisão do governo Jair Bolsonaro. A exoneração ocorreu dias depois de ele enviar uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal contra Ricardo Salles por sua atuação a favor dos madeireiros alvos da PF. A ação pede a apuração dos crimes de advocacia administrativa, organização criminosa e obstrução de investigação.

“O ministro tornou legítima a ação dos criminosos. Temos mais de 70% da madeira apreendida em que não apareceu nenhum dono. Se ninguém reivindicou, como é que ele pode falar que aquilo está legal. Não apareceu dono”, enfatizou o delegado Saraiva, que, apesar de ter sido apeado do posto de superintendente, continua coordenando as investigações.

Salles decidiu ir ao Pará duas vezes para defender que os argumentos dos empresários, de que a madeira teria origem legal. “Ocorre que não ficou só no discurso. Ele foi até a área, fez uma pseudoperícia, de 40.000 toras, olhou duas, e disse que a princípio estava tudo certinho, porque apresentaram escritura”, afirmou Saraiva.

Deputados bolsonaristas tentaram derrubar a sessão. Logo no início, o deputado major Vitor Hugo (PSL-GO) suscitou uma questão de ordem de que Saraiva não poderia ser ouvido na Comissão de Legislação Participativa e sim na de Meio Ambiente. A primeira é comandada pelo petista Waldenor Pereira (BA) e a segunda pela bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP). Ou seja, tiraria o delegado de um ambiente mais favorável para outro mais tenso. O parlamentar alegou que na sessão de hoje as discussões estariam “enviesadas”.

A questão de ordem foi indeferida e houve bate-boca. “Tem gente tumultuando aqui para não ouvir sobre os crimes praticados”, afirmou um dos deputados.

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