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quinta-feira, março 4, 2021
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Um otimista inveterado! (por Otávio Santana do Rêgo Barros)

Há cerca de quatro meses encerrou-se a minha missão como porta-voz da presidência da república. De fato, o cargo já não se fazia necessário, bem como a missão dele deduzida – informar as ações do governo de maneira profissional, transparente, educada e estruturada. As circunstâncias, de alguma maneira, já foram comentadas pela imprensa.

Aproveitei o interregno para organizar as minhas anotações do período – tenho o hábito de assinalar em moleskines as tarefas e observações diárias.

Consagrei também um tempo para atualizar as minhas leituras e para escrever artigos de opinião que, segundo minha avaliação, poderiam contribuir para iluminar os desafios que se apresentam diante de nossa sociedade.

Continuo confiando.

Sou um otimista inveterado.

Acredito no Brasil e em sua resiliência!

Entretanto, estou ciente de quão difícil será a calceteiros bem intencionados ladrilharem o caminho. Exigirá planejamento estratégico de curto, médio e longo prazo, execução faseada e controlada milimetricamente, e entregas efetivamente realizadas, não apenas propaladas. Exigirá, sobretudo, liderança conciliadora.

Infelizmente, vive-se um Brasil de atropelos de todos os apodos, agora agravados pelo flagelo da pandemia da Covid-19, potencializados por uma gestão mandatória. A sociedade precisa defender uma gestão cooperativa.

A governança no País é arcaica. A permanecer assim, mais avalanches políticas, econômicas e sociais nos soterrarão de incertezas e sofrimentos nos próximos anos.

Não tenho a veleidade de acreditar que nossos líderes mudem espontaneamente os seus comportamentos. Até porque o poder dá uma impressão irrefreável de impunidade e por isso as pessoas se menoscabam.

Mas tenho esperanças de que a pressão exercida, construída pelo equilíbrio da balança de poder, conhecida como sistema de pesos e contrapesos, os obrigará a pensar menos no eu e mais no nós.

Que o sim seja sim! Que o não seja não!

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Resgato uma pitoresca história, do escritor mexicano Carlos Fuentes, em seu livro A CADEIRA DA ÁGUIA. Aliás, merece leitura relaxada e reflexiva. O autor nos tangencia, Terra de Santa Cruz, na forma como assessores assessoram seus assessorados.

Versa a passagem sobre um secretário a quem o general presidente e chefe máximo Plutarco Elías Calles perguntou:

– que horas são?

Ao que o atento secretário respondeu:

– a que o senhor prefira senhor presidente.

O Presidente então contesta:

– sou um homem acostumado a fazer o que não prefiro.

Diligentemente retruca o secretário:

– disponha de mim senhor presidente.

Pitoresca, sim, verdadeira, também. Histórias como essas vão sendo incorporadas ao anedotário do poder, não exclusivamente de agora, sem que percebamos o mal que nos faz como sociedade esses malandrinos. Não é isso que desejamos.

“Para as honras e para a glória é preciso saber curvar um pouco as costas.” (Diderot)

Paz e bem!

Otávio Santana do Rêgo Barros é general da reserva. Foi porta-voz do presidente Jair Bolsonaro. A partir de hoje, escreverá neste blog sempre às quartas-feiras.

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