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quinta-feira, março 4, 2021
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O que os fundos com maior rendimento no ano têm em comum

Com a queda na taxa básica de juros, buscar investimentos fora da boa e velha poupança e dos fundos de renda fixa passaram a ser um exercício para o brasileiro que cuida do seu dinheiro. Tanto que, o número de investidores individuais na bolsa de valores bateu recorde. O mercado de renda variável, além das ações individuais, conta com fundos de investimentos, em que um gestor é responsável por operar o dinheiro. Segundo ranking elaborado pela VEJA a partir de dados fornecidos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), nove dos dez fundos de ações livres com maior rendimento de janeiro a outubro de 2020 têm em comum o fato de investirem em BDRs, ou seja, papéis que representam empresas no exterior. A recuperação mais rápida das bolsas de Nova York, em comparação ao Ibovespa, é a principal responsável por esse rendimento.

Do início do ano a 30 de outubro, o Ibovespa caiu 18,76% em real, enquanto o S&P 500, um dos principais índices da bolsa americana, teve crescimento de 1,21% em dólar. Em real, o rendimento do S&P 500 foi ainda maior, um crescimento de 44,63%. Entre as principais ações que cresceram este ano estão as Big Techs e empresas cujos serviços passaram a ser mais demandados com o isolamento social.

“Antes o investidor brasileiro só investia em empresas brasileiras. A Covid-19 mostrou que é muito importante diversificar, todos os que investem de forma global, não apenas BDRs, estão captando”, diz Leonardo Otero, sócio da Arbor Capital, gestora que ocupa o topo do ranking com o fundo Arbor Global Equit FI Ações BDR NIVEL I, cuja rentabilidade foi de 74,96% nos últimos doze meses — sobre as rentabilidades consideradas no ranking, é importante citar que já foram descontadas todas as taxas, como a de administração da gestora, e que incidirá o imposto de 15% sobre o rendimento no momento do resgate. De acordo com Otero, o fundo que tem 850 cotistas investe em cerca de 20 ações, 12 delas BDRs de empresas como Salesforce, Spotify, Facebook, Google e Amazon, com foco no investimento em longo prazo. Além disso, ele tem como estratégia fazer hedge cambial, ou seja, proteger o investimento para que não sofra com alguma variação cambial. Caso não houvesse essa proteção, a rentabilidade do fundo seria ainda maior porque consideraria ainda a forte desvalorização cambial do real no acumulado do ano.

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O segundo da lista é o fundo Western Asset FIA BDR Nível I, da gestora Western Asset, que teve no período rendimento de 61,61%. Criado em 2014, o patrimônio líquido era de 2,3 bilhões de reais, distribuídos entre 100 mil cotistas, na quinta-feira, 25. A estratégia da gestora é de investir 100% dos ativos em BDRs americanas. São 40 papéis, que incluem Amazon, Facebook, Microsoft, Visa, Disney e Nvidea. Além das empresas de tecnologia, o fundo possui ativos em bens não essenciais, serviços de comunicação e saúde. “Nós decompomos o retorno de fundo em três grandes fatores, a variação cambial, o desempenho do mercado acionário americano e a performance pela gestão ativa”, diz Mauricio Lima, gestor de portfólio da Western Asset. “Fazer uma diversificação geográfica e de moeda funciona como contrapeso ao risco, tanto dos ativos quanto do país. Temos no Brasil as questões fiscais que têm deixado os investidores receosos”, diz ele.

Em comum, além do investimento em papéis de empresas internacionais, os dois melhores fundos do ranking tiveram intensificação do interesse dos investidores quando as bolsas, principalmente americanas e de tecnologia, começaram a crescer recuperando a forte queda que ocorreu em março por conta da Covid-19. Em seis meses, a Western Asset captou 1,2 bilhão de reais, refletindo uma mudança de mentalidade do brasileiro na forma de investir, que ocorreu ao longo do ano e também levou muitas pessoas físicas para o Ibovespa. A Arbor Global captou nos últimos três meses 100 milhões de reais dos 200 milhões do fundo.

A baixa Selic, a maior familiaridade da população com os ativos de renda de variável e a busca de diversificação foram as grandes responsáveis por essa mudança na aplicação de recursos. Além disso, há também o aumento de BDRs disponíveis no Brasil. Em 2014, elas eram cerca de 80 e atualmente são aproximadamente 500.

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