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terça-feira, março 2, 2021
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Justiça de São Paulo decreta a prisão do nutrólogo Abib Maldaun Neto

A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do nutrólogo Abib Maldaun Neto ao aceitar uma denúncia que o Ministério Público (MP-SP) apresentou contra o médico no início de novembro. Maldaun Neto é acusado de ter ter abusado 15 vezes de uma mesma mulher durante consultas na clínica particular que mantém no bairro dos Jardins, área nobre de São Paulo. Nesta mesma ação, ele foi denunciado por ter abusado de outras oito mulheres diferentes.

A decisão foi proferida pela juíza Ana Cláudia dos Santos Sillas, da 26ª Vara Criminal, na semana passada. Para decretar a prisão preventiva, ela considerou que os crimes imputados ao nutrólogo são de “extrema gravidade, especialmente porque [foram] supostamente praticados no exercício de sua atividade contra suas pacientes, com abuso da relação de confiança própria da sua função”. A magistrada também apontou que Maldaun Neto apresenta risco para a produção de provas processuais e que o médico possui condições financeiras suficientes para fugir para o exterior.

O médico já foi condenado em segunda instância a dois anos e oito meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de violação sexual mediante fraude cometido contra uma paciente em 2014. A sentença e os relatos de novas vítimas foram revelados por VEJA no dia 18 de setembro. Após a repercussão, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) cassou o registro do nutrólogo.

Ao todo, 23 mulheres procuraram o Ministério Público para denunciar Maldaun Neto, mas nem todas seguiram com o processo. Muitos dos casos também prescreveram, como um relato que remetia a um crime cometido em 1997.

Maldaun Neto é um médico conhecido entre celebridades e políticos. O trabalho do nutrólogo com a medicina ortomolecular lhe rendeu reconhecimento internacional e honrarias como a Medalha Anchieta, a maior condecoração concedida na cidade de São Paulo. No Instagram, constam participações em programas de TV e fotos com personagens conhecidos, como os apresentadores Celso Portiolli e Ratinho.

O especialista teve sua conduta questionada a partir de uma acusação feita em 2014. Segundo a denúncia, Maldaun Neto perguntou sobre a vida sexual da paciente durante a consulta, pediu a mulher que tirasse as roupas e introduziu os dedos em sua vagina. Ao final, abraçou a vítima e disse que ela que poderia conside­rá-lo como um amigo. “Quando cheguei em casa, esfregava o meu corpo com muita força no banho e repetia em voz alta que aquilo não tinha acontecido”, afirmou a acusadora, que não quis se identificar, a VEJA. Foi esse processo que levou à condenação do médico em segunda instância, por 3 votos a 0, em julho deste ano. Ele nega ter cometido os crimes.

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