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domingo, março 7, 2021
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Dia mundial anticorrupção passa batido (por Vitor Hugo)

Transcorreu praticamente em brancas nuvens, no Brasil destes derradeiros dias do ano pavoroso da pandemia covid-19, o 9 de dezembro, data de celebração do Dia Internacional de Combate à Corrupção. Uns parcos registros factuais, algumas referências “en passant” (como dizem os franceses)… Aqui e acolá, um bom texto de analise histórica assinado pelo auditor do Estado lotado na Controladoria Geral de Mato Grosso, Vilson Nery, além de uma charge emblematicamente ferina sobre o tema, assinada pelo cartunista Sponhol, no Jornal da Manhã, de Curitiba. E foi tudo (ou quase), em referência à data, pelo menos do conhecimento deste jornalista.

O pior, no entanto, foi o vácuo de indiferença geral que pareceu sobrepor-se ao dia comemorativo de inegável relevância, até recentemente motivador de invulgar e justo interesse, mobilizando multidões no país da Lava Jato. Maior, mais ágil e mais eficiente operação destinada a investigar, julgar e punir corruptos e corruptores em atividades públicas e privadas, com raízes por vários países da América Latina, e destaque no mundo.

Mais estranho, ainda, o silêncio ensurdecedor nos ambientes de poder e mando, principalmente nos âmbitos político e de governos, – muitos guindados aos postos que atualmente ocupam, defendendo bandeiras de combate à corrupção – agora em decisivas e cada vez mais repetidas ações de não poupar esforço para colocar no esquecimento estas iniciativas e, se possível, sepultar de vez um tema tão incômodo aos atuais donos do poder. Comemorações, então, nem pensar. Seja como for, o fato é que nem mesmo tempos pandêmicos – como os que estamos atravessando e que no Brasil recrudescem, em praticamente todos os estados da federação, levando o país à marca terrível e desonrosa das 180 mil mortes – conseguem evitar a propagação da praga da corrupção pelo mundo.

Foi a partir deste desafio que muitos países se reuniram no México, na Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, logo abraçada pela Assembleia Geral da ONU, em 31 de Outubro de 2003. As deliberações da convenção histórica de Mérida foram aceitas pelo Brasil em 9 de dezembro de 2003.

Já no enunciado de abertura do texto do acordo, – um estímulo à luta contra as danosas práticas corruptas – as nações signatárias assinalaram preocupações com a gravidade dos problemas e com as ameaças, decorrentes da corrupção, para a estabilidade e a segurança das sociedades, ao enfraquecer as instituições e os valores da democracia, da ética e da justiça e ao comprometer o desenvolvimento sustentável e o Estado de Direito”.

Cumpra – se e celebre – se! Sempre.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: [email protected]

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