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quinta-feira, fevereiro 25, 2021
Início Política Martele até quebrar (por Otávio Santana do Rêgo Barros)

Martele até quebrar (por Otávio Santana do Rêgo Barros)

Inúmeras são as incertezas no alvorecer do século XXI. “O fim da história” não se concretizou com a queda do Muro de Berlim, contrariando o filósofo Francis Fukuyama.

A essas indefinições, incorpora-se uma sociedade dispersa, imediatista, desinteressada e brutalizada intelectualmente.

Uma das razões deste alheamento é termos a maioria da população, independente de raça, religião ou condição financeira, entorpecida pela tela brilhante do celular.

A vã satisfação pessoal se materializa em números de apreciadores que se curvam aos dotes dos hipnotizadores de falsas serpentes.

Outra razão que nos parece clara, volto a ela mais uma vez – aprecio discuti-la -, é estarmos limitados por redomas comunitárias, uma zona de conforto, que não se interconectam e que nos impedem de crescer como indivíduos, nos tornando egoístas sociais.

Concorro em acreditar que a política foi impactada sobremaneira por esse fenômeno e seus atores, os políticos de carne e osso, em nada diferindo daqueles seres presos na cúpula de vidro translúcido do seu universo paralelo, estão cada dia mais obcecados por se valerem das opiniões confortáveis de seus seguidores, abdicando de confrontar-se com a arte de fazer política. Do diálogo. Do convencimento pelos argumentos.

Histéricos gritos em negrito contra tudo e contra todos que não se alinhem aos pensamentos canhestros disseminados. Xingamento que ruborizam, ainda hoje, o cidadão de índole mediana. Decisões governamentais de importância capital anunciadas pelo Twitter. Diários Oficiais são peças de museu.

Eureca! Vamos propor a criação genial do TOU (Twitter Oficial da União). Ou do IOU (Instagram Oficial da União). Quem sabe do FOU (Facebook Oficial da União). Todos os atos passíveis de certificação governamental seriam divulgados nessas plataformas.

São apenas alguns exemplos de posturas assumidas por essa nova velha geração de discursante da ágora virtual.

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O furo jornalístico que era um troféu buscado pelos profissionais da imprensa, apurado na maioria das vezes em profundidade e com ética, passou a ser perseguido por quaisquer que tenham ânsia de sapatear nas luzes da ribalta do espectro digital. Se for uma inverdade, e daí? A verdade tem larga margem de erro para esses “representantes do povo”. Tem até validade.

“Cogito ergo sum” – penso, logo existo -, célebre frase de Descartes, vira poeira para esses filósofos do século XXI. Pensar com maturidade e profundidade não é mesmo necessário (nem sei se ainda são capazes de pensar, haja vista o nível oligofrênico de algumas discussões nos púlpitos das casas que os acolhem).

A preocupação maior é de insanamente verbalizar tonterias diárias que aqueçam suas manadas de seguidores. Logo, para que existir? Existir no mundo real é muito penoso. Onde está o local para o clique na mãozinha?

Quando intuímos que uma nova e promissora geração de legisladores estava por assumir as rédeas da nossa carruagem política, realinhando propósito com ação de bem colaborar em prol da sociedade brasileira, o que lastimosamente vimos foram alguns descerebrados extasiados pelo poder, chicoteando os animais tratores – o povo – até a sua exaustão.

Martelem até quebrar a grande pedra da insensatez política que parecia indestrutível. Ao fim, todos os seus golpes, não apenas aquele que a rompeu, foram responsáveis pelo sucesso de vê-la em pequenos pedaços.

“Nunca desista. Nunca. Nunca. Nunca.” (Winston Churchill)

Daqui a dois anos, uma nova corrida eleitoral. Até lá vamos martelando. E com força!

Paz e bem!

 

Otávio Santana do Rêgo Barros é general do Exército e ex-porta-voz da presidência da República. Escreve aqui às quartas-feiras 

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