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segunda-feira, março 1, 2021
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Poder das urnas e o pudim de Ulysses (por Vitor Hugo Soares)

Computados os votos, de todas urnas do país continente, dá gosto ver mais uma vez o desempenho, presteza e confiabilidade das maquininhas eletrônicas feitas no Brasil – que contaram a vontade do eleitor, nelas digitada, em mais uma eleição – permitindo ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luiz Roberto Barroso, respirar aliviado ao promulgar os resultados, do dia 29, em apenas 4 horas, “queimando a língua” de muita gente que insiste em falar mal e tentar destruir a credibilidade do voto eletrônico, sem provas e com argumentos mambembes, a exemplo do que tem feito o presidente Jair Bolsonaro, desde sua campanha para a presidência, na luta contra esses modernos equipamentos, uma das maiores conquistas da Justiça Eleitoral no Brasil.

Restam dúvidas e incertezas sobre quem efetivamente ganhou, perdeu (ou empatou), no emaranhado infernal de candidatos, siglas, tendências e sonhos visionários de todos os lados. Principalmente dos que se recusam a reconhecer derrotas – o que não é coisa apenas do presidente Donald Trump – pois sobram maus perdedores também por aqui.

Mesmo no caso do PT – que praticamente sumiu do mapa eleitoral com os resultados de domingo 29, – aparece a deputada Gleisi Hoffman, presidente nacional do partido (que até o Governo Dilma esbanjava votos nas capitais e outras cidades de médio porte) para justificar que “não foi bem assim”, como os fatos e abatimento de seus maiorais atestam. Mas estas são dúvidas e questões mais razoáveis que o tempo, senhor da razão poderá aclarar.

Ainda assim – ou talvez por isso mesmo – uma certeza salta aos olhos da nação, do meio de tudo, mesmo neste ano pavoroso da Covid-19: as eleições municipais se consagram mais uma uma vez, como a celebração por excelência da participação popular na democracia brasileira. Da grande “festa do interior” – como eram tidos esses pleitos, na minha infância na beira do Rio São Francisco – tornou-se também acontecimento marcante da democracia, nas capitais.

Do confronto “de esquerda” entre os primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) pelo mando em Recife (vencido pelo bisneto de Miguel Arraes); ao embate, em São Paulo, – que agrega dois nomes significativos ao cenário da política nacional – do progressista Bruno Covas (PSDB) contra o “ultra- esquerdista” Guilherme Boulos (PSOL, a grande revelação da urnas), vencida com folgas pelo jovem político da melhor linhagem tucana.

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Na chuva de votos que se deu em Salvador – para o eleito Bruno Reis (DEM), sob as asas de ACM Neto, em ascensão nacional – que já força o senador Jaques Wagner (PT) se mover para marcar posição na corrida pela sucessão de Rui Costa, em 2022. E em Belo Horizonte, com Alexandre Kalil (que se projeta para além das Minas Gerais) triunfante com esforço próprio e ajuda de competente equipe na gestão.

No fim é preciso lembrar as sábias afirmações de Ulysses Guimarães, (criador e timoneiro do antigo MDB na resistência democrática à ditadura), para reafirmar a sua permanente convicção de que “a Nação detesta tutela e tutores, quer democracia”. Nunca é demais repetir aquela considerada uma de suas 100 melhores frases, segundo coletânea feita por D. Mora, publicada no livro Rompendo o Cerco:

“Deixem o povo votar. Ainda que erre acabará acertando. Pela receita não se sabe o gosto do pudim. É preciso prová-lo”, recomendava o ilustre cavalheiro da resistência em seus discursos e entrevistas. Na mosca.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: [email protected]

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