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segunda-feira, março 1, 2021
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Único pastor entre ‘detratores’ do governo está pasmo com nome na lista

A lista “Mapa de Influenciadores”, produzida pela BR+ Comunicação a pedido do governo federal e divulgada nesta semana, repercutiu na vida dos citados no documento. Marcos Botelho, único pastor que aparece entre os considerados “críticos” da gestão Bolsonaro, afirma que a lista não foi uma surpresa, mas achou estranho que apenas seu nome tenha aparecido considerando que outros líderes religiosos protestantes também criticam a atual gestão.

“Eu me senti, por um lado, nada surpreso pela lista. Acho que qualquer um que acompanha esse governo vai entender esse tipo de censura ou investigação. Eles vão dizer que é só uma análise. Mas você não precisa pagar tanto [pela análise]. Eu me surpreendi zero em ter uma lista, mas me surpreendi por meu nome entrar na lista no sentido de que eu conheço muitos outros pastores que batem forte no governo e não entraram”, explica Marcos.

A lista, revelada pelo jornalista Rubens Valente, no site Uol, cita Marcos Botelho como influenciador, pastor titular da Igreja Presbiteriana Comunidade da Vila em São Paulo e CEO da Glocal Aceleradora Social no Largo da Batata. Segundo o documento, Marcos fazia publicações em apoio ao governo desde 2018, mas em novembro de 2019 teria iniciado as críticas à gestão e ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

O pastor nega que tenha defendido o governo em algum momento, chama o presidente Jair Bolsonaro de “boçal” e diz que não se considera uma pessoa de esquerda ou de direita. Segundo ele, sua posição está no centro. “Nunca apoiei, aliás eu sou um ferrenho crítico do Bolsonaro há muito tempo. Inclusive no período eleitoral de 2018, não votei nele, eu jamais votaria nele. Ele é um boçal, ignorante, não tem como apoiar aquilo, é uma farsa religiosa e política”, afirma.

Ao ser questionado sobre o motivo pelo qual seu nome entrou na lista, Marcos Botelho lembra que no início deste ano começou a falar mais dos ministros do governo especificamente. O pastor explica que não usa muito o twitter – rede onde tem menos alcance do que no Facebook, por exemplo – e acredita que a agência de comunicação fez uma busca “tosca” pelo nome de Paulo Guedes para encontrar os citados no Mapa de Influenciadores. “Eu reativei o twitter na pandemia. Então acho que eles fizeram uma procura tosca pelo nome do ministro da economia e acharam meu nome. E é só isso que eu entendo porque o meu nome entrou”, destaca.

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O pastor reforça seu entendimento de que Bolsonaro não surpreende em suas atitudes de governo. “Se ele fizesse alguma coisa boa, eu ficaria surpreso”, enfatiza. No entanto, ele diz que Guedes decepcionou no cargo. “O Guedes é uma decepção porque ele só fala. Ele é muito papudo, faz pouco, não privatizou nada…essa era uma das críticas”, diz Marcos Botelho se referindo aos seus tuítes.

Ainda segundo Marcos Botelho, sua reação à saída do ex-ministro Sérgio Moro também pode ter levado seu nome para a lista do governo. Na época, o pastor lembra que “bateu bem” na gestão Bolsonaro e recebeu várias mensagens de “haters” no privado. “Eu sempre critiquei, mas nessa época teve um número tão grande de haters, gente entrando no meu privado e falando que eu era do demônio, era uma enxurrada, era claro que era robô, eu entrava nos perfis era a foto de um tiozinho que não postava nada”, explica.

O pastor lembra que familiares e amigos ficaram preocupados com sua saúde mental e aconselharam que ele diminuísse as publicações. Para Marcos, o “gabinete do ódio” e os robôs que apoiam o governo derrubaram o alcance de sua página no Facebook em meio a esses acontecimentos.

Em relação ao apoio que muitas igrejas deram ao presidente Jair Bolsonaro na época das eleições, Marcos Botelho considera um absurdo que isso tenha sido feito institucionalmente e que ainda existam igrejas que apoiam o governo. “O problema é o voto de cajado, o jeito que eles fizeram, uma boa parte, instituições como neopentecostais e essas que tem pouco a ver com o evangelho. Essas apoiaram institucionalmente o Bolsonaro”.

Para ele, Bolsonaro é uma “farsa religiosa” porque não age “como alguém que acredita no evangelho”. “O pior é que o Bolsonaro é uma farsa religiosa, ele tem um discurso, mas não tem uma prática de qualquer um que caminha… eu acho que esse apoio feito em púlpitos de igreja, não do púlpito apenas, mas velado nos bastidores da igreja, eu acho que é um absurdo, um absurdo ainda quem apoia claramente o Bolsonaro”, ressalta.

Sobre os pastores que ainda manifestam apoio ao presidente, Marcos Botelho diz que alguns líderes parecem ter um contrato com o governo.“Eu vejo muitos pastores que apoiavam e hoje estão calados, acho que é a melhor atitude, se não vai pedir desculpa, pelo menos fique quieto e deixe ele ‘sangrar’. Você tem pastores que vão apoiar sempre, parece que eles têm um contrato com esses caras independente de evangelho, de roubo, de milícia, de tudo o que está bem exposto”, acredita.

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