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segunda-feira, março 1, 2021
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Venezuelanos no Brasil se mobilizam para participar de consulta popular

Após a comunidade internacional denunciar as eleições parlamentares da Venezuela no último domingo, 6, como fraude, venezuelanos no mundo todo se preparam para participar da consulta popular promovida pela oposição. Inclusive no Brasil: voluntários espalhados por 23 estados se organizaram para viabilizar a participação dos imigrantes no levantamento, que começou nesta segunda-feira, 7, e vai até sábado, 12.

A consulta visa dar um canal seguro para que o povo venezuelano possa expressar sua opinião sobre o pleito – se concordam com a pressão nacional e internacional por eleições livres, e se rejeitam os resultados da votação convocada pelo regime. Com a abstenção de 70% do eleitorado e múltiplas irregularidades, o Partido Socialista Unido da Venezuela, liderado por Nicolás Maduro, foi declarado vencedor.

Os cidadãos podem se manifestar via internet, no site da consulta ou no aplicativo, ou presencialmente, indo até um dos centros da consulta popular, chamados de “pontos de liberdade”. Toda a organização fica a cargo de voluntários, que estão nesses locais recebendo os venezuelanos. No Brasil, há pontos em 32 cidades.

Segundo o coordenador nacional da consulta popular no país, Tomás Silva, a iniciativa é um mecanismo previsto no artigo nº 70 da Constituição da Venezuela. “Vamos mostrar que a maioria dos venezuelanos não apóia a fraude convocada por Maduro. O mundo já reconheceu que essas eleições não foram livres”, enfatiza.

O coordenador-adjunto, William Clavijo, conta sobre a logística da consulta no Brasil. “Estamos formando equipes para chegar ao maior número de cidades e confirmando os endereços dos pontos de liberdade. Nosso esforço está concentrado em ajudar as pessoas para que saibam como usar os canais digitais e como participar nos centros presenciais”, relata.

Para os venezuelanos que residem no Brasil, a chegada da consulta gera expectativa. É o que conta Cristina Lizana Araneda, 42 anos, que mora em Salvador (BA) e também atuou como voluntária. Ela e o esposo se preparam para comparecer aos pontos de liberdade, enquanto a mãe já votou pelo celular.

“A consulta servirá para que os venezuelanos manifestem seu posicionamento sobre a ilegitimidade do regime na Venezuela, a falta de liberdade e transparência das eleições, e a necessidade de avançar na procura de apoio internacional que permita o resgate da democracia na Venezuela”, diz Cristina.

Um grupo de 16 países, incluindo o Brasil, divulgou nesta terça-feira, 8, uma declaração classificando a eleição como ilegítima. De acordo com o documento, o pleito foi realizado “sem as garantias mínimas de um processo democrático, de liberdade, segurança e transparência, e sem integridade de votos, participação de todas as forças políticas ou observação internacional”.

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