O criador do Método LP, nutricionista esportivo em São Paulo com anos de experiência, Lucas Peralles, lida com regularidade com um tipo de paciente que desafia a lógica convencional sobre emagrecimento: alguém que treina todos os dias, às vezes duas vezes por dia, mantém uma alimentação restritiva e, mesmo assim, não consegue emagrecer ou continua perdendo músculo enquanto a gordura persiste. A resposta intuitiva seria treinar mais ou comer menos. A resposta correta, quase sempre, é o oposto.
O paradoxo do excesso de exercício é um dos temas menos discutidos na nutrição esportiva, em parte porque contradiz a narrativa dominante de que mais esforço sempre produz mais resultado. Dessa maneira, entender quando o treino deixa de ser aliado e passa a ser obstáculo exige compreender como o organismo responde ao estresse físico acumulado e o que acontece quando esse estresse supera a capacidade de recuperação disponível.
Aprofunde-se lendo a seguir!
O que acontece no corpo quando o treino excede a recuperação?
O exercício físico é um estressor controlado. Isso porque, quando aplicado na dose certa, seguido de recuperação adequada, ele produz adaptações positivas: mais músculo, menos gordura, melhor condicionamento. Por outro lado, quando aplicado em excesso sem recuperação suficiente, ele ativa os mesmos mecanismos fisiológicos que o organismo usa para responder a qualquer ameaça: eleva o cortisol, aumenta a inflamação sistêmica, compromete o sono e desregula os hormônios relacionados ao apetite e ao metabolismo.
Nesse estado, o corpo interpreta o exercício excessivo como uma ameaça à sobrevivência e responde com mecanismos de defesa que dificultam ativamente o emagrecimento: reduz a taxa metabólica, aumenta o apetite por alimentos calóricos e favorece o acúmulo de gordura abdominal mediado pelo cortisol elevado. O resultado é um esforço enorme que produz resultados mínimos ou negativos, gerando a frustração que leva muitas pessoas a treinar ainda mais, aprofundando o ciclo, assim como explica Lucas Peralles.

Como identificar que o treino está atrapalhando?
Os sinais do excesso de treino são frequentemente confundidos com falta de condicionamento ou indisciplina alimentar. Sintomas como cansaço persistente que não melhora com o descanso, queda de desempenho nas sessões seguintes, dificuldade de dormir mesmo estando exausto, irritabilidade aumentada e platô de emagrecimento prolongado são indicativos de que o organismo está em déficit de recuperação. No momento em que esses sinais aparecem juntos, reduzir o volume de treino é uma intervenção clínica, não uma concessão.
O fundador do Método LP, Lucas Peralles, avalia o histórico de treino como parte do diagnóstico inicial, identificando se o paciente está em sobrecarga antes de definir qualquer protocolo nutricional. Isso porque um plano alimentar aplicado sobre um organismo em overtraining vai produzir resultados muito inferiores aos que produziria se o estado de recuperação fosse primeiro restaurado.
O papel da nutrição na gestão do estresse do treino
A alimentação é a principal ferramenta de recuperação disponível depois do exercício. Proteína em quantidade adequada, carboidrato estratégico ao redor do treino e calorias totais suficientes para sustentar o volume de atividade física são condições básicas para que o organismo se recupere entre as sessões. Quando a restrição calórica é aplicada de forma severa sobre um volume de treino alto, o corpo não tem recursos para recuperar, adaptar e progredir.
Lucas Peralles, referência em nutrição esportiva em São Paulo por trás do Método LP, trabalha há anos com o equilíbrio entre estímulo e recuperação como variável central do processo. Isso significa, em alguns casos, aumentar a ingestão calórica e reduzir o volume de treino como estratégia para destravar um processo de emagrecimento que havia parado. Essa orientação contraintuitiva é frequentemente a que produz os resultados mais expressivos, justamente porque resolve a causa real do problema em vez de insistir em uma estratégia que o organismo já sinalizou que não está funcionando.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

