Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares, integra um campo de conhecimento que reconhece nas mudanças de comportamento infantil uma linguagem que merece ser escutada com atenção. Crianças frequentemente não dispõem das palavras necessárias para nomear o que estão sentindo, especialmente quando o sofrimento emocional é intenso ou quando o ambiente ao redor não oferece condições seguras para essa expressão. O comportamento torna-se, nesses casos, o canal disponível. Reconhecer os sinais emocionais na infância sem transformá-los em diagnósticos precipitados é um dos desafios mais importantes que pais, educadores e cuidadores enfrentam.
Ao longo deste artigo, serão apresentados os fatores que ajudam a compreender essa dinâmica.
Por que o comportamento infantil revela emoções antes da linguagem verbal?
O desenvolvimento emocional das crianças precede, em muitos aspectos, o desenvolvimento da linguagem verbal. Muito antes de conseguir dizer “estou com medo” ou “estou triste”, a criança já comunica esses estados por meio do corpo, dos gestos, das brincadeiras e das interações com os outros. Essa comunicação não verbal não é menos precisa do que a verbal: ela reflete, de forma direta, o estado emocional interno da criança e a forma como ela está respondendo ao seu ambiente.
Quando algo no ambiente familiar ou social muda de maneira significativa, quando surgem conflitos, perdas, instabilidades ou situações de sofrimento que excedem a capacidade de processamento da criança, essa comunicação não verbal tende a se intensificar. O comportamento muda porque algo mudou internamente, e essa mudança precisa encontrar expressão de alguma forma.
Conforme detalha Taiza Tosatt Eleoterio, a leitura do comportamento infantil como linguagem emocional exige que os adultos ao redor da criança desenvolvam uma escuta que vai além do que é explicitamente dito ou feito. Trata-se de uma atenção ao padrão, à frequência e à intensidade das mudanças observadas, e não à interpretação isolada de episódios específicos.
Como o contexto e a frequência das mudanças comportamentais influenciam a avaliação do sofrimento emocional infantil?
As mudanças de comportamento que podem indicar sofrimento emocional infantil variam de acordo com a idade da criança, com suas características individuais e com o contexto em que ocorrem. Não existe um conjunto fixo de sinais que, quando presentes, confirme a existência de um problema. O que importa é a mudança em relação ao padrão habitual da criança e a persistência dessas mudanças ao longo do tempo.
Entre as alterações que podem merecer atenção estão as mudanças no sono, seja a dificuldade de adormecer, os pesadelos frequentes ou o despertar noturno recorrente. Alterações no apetite, regressão a comportamentos de fases anteriores do desenvolvimento, como voltar a fazer xixi na cama ou pedir mamadeira, aumento da irritabilidade ou da agressividade, retraimento social e queda no desempenho escolar são outros indicadores possíveis.
Na concepção de Taiza Tosatt Eleoterio, nenhum desses sinais, tomado isoladamente, permite conclusões sobre o que a criança está vivendo. É o conjunto, a frequência e o contexto que oferecem uma leitura mais confiável. Crianças passam por fases, e nem toda mudança de comportamento indica sofrimento emocional significativo. A atenção cuidadosa, sem alarmismo, é o caminho mais responsável.
A busca por apoio psicológico: um gesto de cuidado e não de alarmismo
Pais, cuidadores e educadores são frequentemente os primeiros a perceber mudanças no comportamento das crianças, justamente porque convivem com elas de forma regular e conhecem seus padrões habituais. Essa posição privilegiada traz consigo uma responsabilidade: a de observar sem precipitar interpretações e de criar condições para que a criança possa, ao seu próprio modo, expressar o que está sentindo.
Perguntar diretamente sobre o que aconteceu nem sempre é a abordagem mais eficaz com crianças, especialmente as mais novas. Frequentemente, o sofrimento emocional infantil se revela com mais facilidade em contextos lúdicos, na brincadeira, no desenho ou em conversas informais do que em situações de interrogação direta. Os adultos que conseguem criar esses espaços de expressão indireta oferecem às crianças uma via de comunicação que pode ser mais acessível do que a fala explícita.
Sob a perspectiva de Taiza Tosatt Eleoterio, a busca por apoio especializado quando as mudanças de comportamento são persistentes, intensas ou acompanhadas de outros sinais de sofrimento é uma atitude de cuidado, e não de alarmismo. O acompanhamento psicológico com crianças não é reservado a situações extremas: ele pode ser um recurso valioso sempre que a criança precisa de um espaço adicional de expressão e elaboração que os adultos ao redor não conseguem oferecer sozinhos.
Vínculos familiares e sua relação com a saúde mental das crianças
Uma das contribuições mais importantes da perspectiva psicanalítica para a compreensão do comportamento infantil é o reconhecimento de que as crianças não existem isoladas do ambiente em que vivem. O que acontece ao redor da criança, a qualidade dos vínculos disponíveis, a estabilidade emocional dos adultos de referência e a atmosfera geral do ambiente familiar e escolar influenciam diretamente a sua saúde mental infantil.
Quando mudanças de comportamento persistem, uma das perguntas mais relevantes não é apenas “o que está acontecendo com essa criança?”, mas “o que está acontecendo no ambiente dessa criança?”. Frequentemente, as respostas estão interligadas: o comportamento da criança reflete, em parte, o estado emocional do ambiente em que ela está inserida.
Conforme examina Taiza Tosatt Eleoterio, trabalhar com o sofrimento emocional infantil frequentemente envolve também trabalhar com os adultos ao redor da criança. Quando o ambiente familiar encontra suporte para lidar com suas próprias tensões, a capacidade da criança de regular suas emoções e de retomar seu desenvolvimento tende a melhorar de forma significativa. O cuidado com a criança e o cuidado com quem cuida dela são, nesse sentido, partes do mesmo processo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

