O caso do cachorro Orelha ultrapassou a esfera dos crimes contra animais e passou a simbolizar um problema estrutural mais amplo: a omissão do Estado como fator de estímulo à criminalidade. Para o advogado Jonatas Lucena, a ausência de respostas concretas do poder público enfraquece o sistema de justiça, compromete sua credibilidade e contribui diretamente para a consolidação da impunidade em diversas áreas da vida social.
A repercussão do caso não decorre apenas da violência praticada, mas da percepção coletiva de que crimes, independentemente de sua natureza, raramente resultam em punições proporcionais. Essa sensação de abandono institucional amplia a descrença na Justiça, desestimula a confiança nas instituições e favorece a repetição de condutas ilícitas, criando um ambiente de permissividade generalizada.
O caso Orelha como reflexo de um problema sistêmico
Tratar o caso Orelha como um episódio isolado é ignorar o padrão que ele revela. Crimes contra animais, ambientais, patrimoniais, contra a vida ou contra a dignidade humana seguem a mesma lógica quando o Estado se mostra ineficiente, lento ou ausente. A violência prospera justamente onde a autoridade falha em se fazer presente de forma firme e contínua.

Na análise do Dr. Jonatas Lucena, a repetição desses crimes, aliada à morosidade investigativa e à ausência de responsabilização efetiva, demonstra que o problema não está apenas no agressor individual. Trata-se de uma falha sistêmica do aparato estatal, que deixa de cumprir seu papel, permitindo que a criminalidade se perpetue.
A omissão estatal como motor da criminalidade
A ausência de uma atuação estatal consistente corrói a capacidade de dissuasão do sistema penal. Quando investigações não avançam e sanções não são aplicadas, instala-se a percepção de fragilidade institucional, que reduz o temor da punição e enfraquece o respeito à lei. Nesse contexto, práticas ilícitas deixam de ser exceção e passam a integrar o cotidiano social.
De acordo com Jonatas Lucena, o caso do cachorro Orelha revela com clareza esse efeito estrutural. A falta de uma resposta firme por parte do poder público não apenas frustra a expectativa de justiça, mas sinaliza tolerância institucional à violação das normas. Essa sinalização estimula a repetição de condutas ilícitas e contribui para a escalada da criminalidade.
A resposta estatal como freio à criminalidade
A superação desse cenário depende de uma mudança concreta na postura do poder público. É indispensável que o Estado atue de forma proativa, com políticas permanentes, estrutura adequada e comprometimento real com a execução da lei. Sem investigações e agentes capacitados, a norma perde sua capacidade de produzir efeitos reais.
Para Jonatas Lucena, a responsabilização não se limita à punição do infrator, mas cumpre função essencial de prevenção e proteção social. O caso Orelha deve ser compreendido como um ponto de inflexão, capaz de impulsionar uma atuação estatal mais firme e coerente no enfrentamento da criminalidade e na superação da cultura da impunidade.
Autor: Jonatas Lucena – Advogado

