O enfrentamento à violência política de gênero ganhou novo fôlego com o fortalecimento das ações do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. A iniciativa amplia o debate sobre proteção às mulheres na política, consolida mecanismos institucionais de prevenção e reforça a importância de um ambiente eleitoral mais seguro e democrático. Ao longo deste artigo, analisamos o impacto dessas medidas, os desafios estruturais que ainda persistem e o contexto prático que envolve a participação feminina na vida pública.
A violência política de gênero não se limita a agressões físicas. Ela se manifesta por meio de intimidações, constrangimentos, ataques virtuais, desinformação direcionada e tentativas de silenciamento. Em muitos casos, o objetivo é afastar mulheres de cargos de liderança ou deslegitimar sua atuação. Esse cenário compromete diretamente a qualidade da democracia, pois reduz a diversidade de vozes nos espaços de decisão.
Ao fortalecer ações de enfrentamento, o TRE GO sinaliza que o processo eleitoral precisa ser protegido não apenas contra fraudes técnicas, mas também contra práticas que minam a igualdade de participação. A atuação institucional nesse campo é estratégica, especialmente em períodos pré-eleitorais, quando a exposição pública se intensifica e ataques tendem a aumentar.
A presença feminina na política brasileira ainda enfrenta obstáculos históricos. Embora avanços tenham ocorrido nas últimas décadas, a representação de mulheres em cargos eletivos permanece abaixo do ideal. Parte desse desequilíbrio está relacionada ao ambiente hostil que muitas candidatas encontram durante campanhas e mandatos. A violência política de gênero atua como mecanismo de exclusão indireta.
Nesse contexto, as medidas adotadas pelo TRE GO têm relevância prática. Ao promover campanhas educativas, canais de denúncia e articulação com outras instituições, o tribunal contribui para a construção de um ambiente eleitoral mais seguro. A conscientização desempenha papel central, pois muitos episódios de violência política de gênero são naturalizados ou minimizados.
A atuação preventiva também possui efeito pedagógico. Quando a Justiça Eleitoral se posiciona de forma clara, transmite mensagem institucional de intolerância a práticas discriminatórias. Isso fortalece a confiança de candidatas e ocupantes de cargos públicos, além de incentivar a sociedade a reconhecer e denunciar comportamentos abusivos.
Outro aspecto relevante é o crescimento da violência política de gênero nas plataformas digitais. Redes sociais ampliaram a visibilidade de candidaturas femininas, mas também abriram espaço para ataques coordenados. Comentários ofensivos, campanhas de difamação e ameaças virtuais se tornaram ferramentas de intimidação. O enfrentamento exige monitoramento constante e articulação entre Justiça Eleitoral, Ministério Público e autoridades de segurança.
Sob uma perspectiva editorial, a iniciativa do TRE GO evidencia que a democracia não se sustenta apenas por regras formais. Ela depende de condições reais de participação. Garantir que mulheres possam disputar eleições e exercer mandatos sem sofrer violência é requisito para um sistema político legítimo.
Além disso, o combate à violência política de gênero precisa ser contínuo e estruturado. Não se trata de ação pontual, mas de política institucional permanente. A cada ciclo eleitoral, novas estratégias de intimidação surgem. Por isso, o aprimoramento constante dos mecanismos de prevenção e resposta é fundamental.
No plano prático, candidatas e ocupantes de cargos públicos devem estar atentas aos canais oficiais de denúncia e aos instrumentos legais disponíveis. A legislação brasileira já tipifica condutas relacionadas à violência política de gênero, prevendo sanções específicas. Entretanto, a efetividade depende do registro das ocorrências e da atuação coordenada das instituições.
A sociedade também possui responsabilidade nesse processo. Eleitores, partidos e lideranças políticas precisam repudiar discursos que desqualifiquem mulheres com base em gênero. A normalização de ataques enfraquece o debate público e perpetua desigualdades. Ao contrário, a valorização da pluralidade fortalece o ambiente democrático.
O fortalecimento das ações pelo TRE GO também pode inspirar outras regiões a adotar iniciativas semelhantes. A troca de experiências entre tribunais contribui para uniformizar boas práticas e consolidar padrões de proteção em âmbito nacional. A Justiça Eleitoral possui capilaridade e legitimidade para liderar esse movimento.
A violência política de gênero não é fenômeno isolado, mas reflexo de desigualdades estruturais. Combatê-la exige medidas institucionais, mudança cultural e vigilância constante. Quando o poder público assume protagonismo, envia sinal inequívoco de que a exclusão não será tolerada.
A consolidação de um ambiente eleitoral mais inclusivo amplia a qualidade da representação política e fortalece a confiança nas instituições. Ao intensificar o enfrentamento à violência política de gênero, o TRE GO reafirma que democracia plena depende de participação segura e igualitária. Esse compromisso institucional contribui para transformar o debate público e consolidar avanços que ultrapassam o período eleitoral, refletindo diretamente na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada.
Autor: Diego Velázquez

