O golpe do falso advogado se tornou uma das fraudes digitais que mais crescem no país. Com mais de 14 mil denúncias registradas recentemente, a prática evidencia a vulnerabilidade de consumidores diante de estratégias cada vez mais sofisticadas. Este artigo analisa como o esquema funciona, por que ele se espalhou com tanta rapidez, quais são os impactos para vítimas e profissionais do Direito e, principalmente, o que pode ser feito para evitar prejuízos financeiros e emocionais.
A expansão do golpe do falso advogado está diretamente ligada à popularização do acesso à informação processual e ao uso intensivo de aplicativos de mensagens. Criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios, entram em contato com pessoas que possuem ações judiciais em andamento e informam sobre supostos valores liberados. Em seguida, solicitam transferências bancárias para custear taxas inexistentes ou liberar quantias que, na prática, não existem.
O ponto central da fraude é a engenharia social. Os golpistas utilizam dados reais das vítimas, como número do processo, nome completo e até informações sobre o tipo de ação judicial. Esses dados podem ser obtidos em consultas públicas ou por meio de vazamentos. A partir disso, constroem uma narrativa convincente, transmitindo urgência e pressionando a vítima a agir rapidamente.
O aumento expressivo das denúncias demonstra que a fraude não atinge apenas pessoas com pouco acesso à informação. Pelo contrário, muitas vítimas são cidadãos que aguardam há anos por decisões judiciais e veem, naquele contato inesperado, uma esperança de resolução financeira. Esse aspecto emocional é explorado de forma estratégica. A promessa de receber um valor significativo funciona como gatilho para decisões impulsivas.
Além do prejuízo financeiro, o golpe do falso advogado compromete a confiança no sistema jurídico. Profissionais da advocacia enfrentam desgaste na relação com seus clientes, que passam a desconfiar de comunicações legítimas. Escritórios de advocacia têm reforçado orientações preventivas, mas o desafio permanece, pois os criminosos adaptam rapidamente seus métodos.
Outro fator que contribui para a disseminação do golpe é a facilidade de criar perfis falsos com fotos e registros aparentemente autênticos. Muitos golpistas utilizam nomes reais de advogados devidamente inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil, o que confere aparência de legalidade à abordagem. Em alguns casos, enviam documentos falsificados com timbres e assinaturas digitalizadas.
Do ponto de vista prático, a prevenção exige atenção a sinais claros. Advogados não solicitam pagamentos urgentes por aplicativos de mensagens pessoais nem pedem transferências para contas de terceiros. Custas processuais seguem regras específicas e são recolhidas por meio de guias oficiais. Sempre que houver dúvida, o contato direto com o escritório por canais previamente confirmados é a medida mais segura.
A conscientização é, portanto, o principal instrumento de combate ao golpe do falso advogado. Campanhas educativas e alertas constantes ajudam a reduzir o número de vítimas. Ainda assim, é necessário ampliar o debate sobre proteção de dados e responsabilidade digital. Informações processuais disponíveis publicamente facilitam a transparência, mas também podem ser exploradas por criminosos.
Outro ponto relevante é a importância do registro imediato da ocorrência. Ao perceber a fraude, a vítima deve comunicar o banco para tentar bloquear valores transferidos e registrar boletim de ocorrência. Quanto mais rápido for o acionamento das autoridades, maiores são as chances de rastrear operações financeiras e impedir novos golpes vinculados à mesma organização criminosa.
Sob uma perspectiva editorial, o crescimento do golpe do falso advogado revela uma fragilidade estrutural na educação digital da população. O Brasil avançou na digitalização de serviços públicos e judiciais, mas parte significativa dos usuários não recebeu orientação adequada para lidar com riscos virtuais. O ambiente online oferece agilidade, porém exige postura crítica constante.
Também é necessário refletir sobre o papel das plataformas de comunicação. Aplicativos de mensagens se tornaram canais preferenciais para fraudes, pois permitem abordagens diretas e personalizadas. Medidas de verificação de identidade e mecanismos mais eficientes de denúncia podem contribuir para reduzir a reincidência desses crimes.
Enquanto isso, cidadãos precisam adotar hábitos preventivos. Desconfiar de mensagens que envolvam dinheiro, evitar compartilhar documentos pessoais em conversas digitais e confirmar qualquer informação diretamente com o profissional responsável são atitudes simples que fazem diferença. A pressa é aliada do golpista, por isso a cautela deve prevalecer.
O cenário atual indica que o golpe do falso advogado continuará sendo um desafio relevante nos próximos anos. A combinação de dados públicos, tecnologia acessível e vulnerabilidade emocional cria um terreno fértil para novas tentativas de fraude. Contudo, a informação qualificada e a atitude preventiva reduzem significativamente o risco.
Diante desse contexto, fica evidente que o enfrentamento do problema depende de ação conjunta entre sociedade, instituições jurídicas e autoridades. A transformação digital trouxe benefícios incontestáveis, mas também ampliou a superfície de exposição a crimes virtuais. Quanto maior for a consciência coletiva sobre o funcionamento do golpe do falso advogado, menor será o espaço para que ele continue prosperando.
Autor: Diego Velázquez

