A Justiça Digital deixou de ser tendência para se tornar realidade definitiva no Brasil. Nesse cenário, a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Espírito Santo voltada à inclusão de advogados 50+ no ambiente tecnológico representa um movimento estratégico de adaptação e valorização profissional. Este artigo analisa a importância do projeto, os desafios enfrentados por profissionais experientes na transição digital, os impactos na advocacia e os reflexos práticos para o sistema de Justiça.
A transformação digital no Judiciário avançou de forma acelerada nos últimos anos. Processos eletrônicos, audiências virtuais, intimações online e plataformas integradas passaram a fazer parte da rotina forense. Embora essa modernização tenha ampliado a eficiência e reduzido burocracias, ela também criou uma barreira para parte da advocacia que construiu sua trajetória em um modelo predominantemente físico.
É nesse contexto que o projeto da OAB ES ganha relevância. A proposta de incluir advogados com mais de 50 anos na Justiça Digital não se limita à capacitação técnica. Trata-se de uma ação que reconhece o valor da experiência acumulada e busca garantir que a evolução tecnológica não exclua profissionais altamente qualificados. A digitalização não pode ser sinônimo de afastamento de talentos.
A inclusão digital de advogados 50+ possui dimensão prática evidente. Muitos sistemas judiciais exigem domínio de certificação digital, peticionamento eletrônico, protocolos em múltiplas plataformas e uso de ferramentas de videoconferência. Para quem não teve contato constante com tecnologia ao longo da carreira, a adaptação pode gerar insegurança e impactar a produtividade.
Ao oferecer suporte e capacitação, a OAB ES atua na redução dessa lacuna. O resultado ultrapassa o benefício individual. Quando advogados experientes permanecem plenamente ativos no ambiente digital, clientes também são beneficiados. A qualidade técnica aliada ao domínio tecnológico amplia a eficiência da prestação de serviços jurídicos.
Além disso, o projeto contribui para combater um problema silencioso no mercado jurídico: o etarismo. Em um setor que passou a valorizar fortemente a inovação e o uso de ferramentas digitais, há risco de marginalização de profissionais mais experientes. Ao investir na inclusão de advogados 50+ na Justiça Digital, a OAB ES reforça a ideia de que competência não tem prazo de validade.
Do ponto de vista estratégico, a modernização do Judiciário é irreversível. Tribunais em todo o país ampliam o uso de inteligência artificial para triagem processual, automatizam rotinas administrativas e fortalecem audiências virtuais. Nesse cenário, a capacitação contínua deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico. Ignorar essa necessidade pode comprometer a competitividade do profissional.
Por outro lado, a experiência dos advogados mais maduros é um ativo essencial. Conhecimento prático, capacidade de argumentação e domínio de estratégias processuais são competências desenvolvidas ao longo de décadas. Quando essas habilidades se unem ao domínio das ferramentas digitais, o resultado é uma advocacia mais completa e preparada para os desafios contemporâneos.
Outro aspecto relevante é o impacto social da inclusão digital no Direito. Advogados que dominam a Justiça Digital conseguem atender clientes em diferentes regiões, participar de audiências remotas e ampliar sua atuação sem as limitações geográficas do modelo tradicional. Isso fortalece o acesso à Justiça e amplia a capilaridade dos serviços jurídicos.
A iniciativa da OAB ES também sinaliza uma mudança cultural. A transformação digital não deve ser encarada como ruptura geracional, mas como processo coletivo de adaptação. Escritórios que promovem integração entre profissionais jovens e experientes tendem a construir ambientes mais colaborativos. Enquanto os mais novos contribuem com fluidez tecnológica, os mais experientes agregam visão estratégica e maturidade decisória.
No campo prático, a inclusão na Justiça Digital exige mais do que conhecimento técnico básico. É necessário compreender fluxos eletrônicos, prazos automatizados e sistemas específicos de cada tribunal. A capacitação direcionada reduz erros operacionais, evita perda de prazos e aumenta a confiança no uso das plataformas digitais.
O avanço da Justiça Digital também redefine o perfil do advogado contemporâneo. A atuação híbrida, que combina presença virtual e estratégias digitais, passa a ser padrão. Nesse contexto, a formação continuada deixa de ser opcional. A iniciativa da OAB ES demonstra que a adaptação é possível em qualquer fase da carreira.
Ao analisar o projeto sob uma perspectiva mais ampla, percebe-se que ele responde a uma demanda estrutural do sistema jurídico brasileiro. A digitalização acelerada exigiu respostas institucionais para evitar exclusão profissional. A inclusão de advogados 50+ na Justiça Digital representa uma solução prática, coerente e alinhada com os princípios de valorização da advocacia.
A modernização do Judiciário é um caminho sem retorno. No entanto, a verdadeira evolução ocorre quando ninguém fica para trás. Ao investir na capacitação tecnológica de profissionais experientes, a OAB ES fortalece não apenas a classe, mas a própria qualidade da Justiça oferecida à sociedade. A convergência entre experiência e inovação é o que sustenta uma advocacia preparada para o presente e estruturada para o futuro.
Autor: Diego Velázquez

