Como observa Paulo Roberto Gomes Fernandes, prêmios técnicos não são meras “celebrações de vitrine”, mas instrumentos que permitem à indústria diferenciar novidades passageiras de inovações capazes de elevar, de fato, os padrões de segurança, confiabilidade e desempenho. Em 2026, esse olhar criterioso ganha ainda mais relevância, já que os dutos permanecem no centro dos debates sobre integridade estrutural, eficiência operacional e exigências ambientais. Nesse cenário, reconhecer tecnologias maduras, capazes de transitar com sucesso do laboratório para a aplicação em campo, torna-se parte essencial da estratégia industrial.
O que a ASME premia, na prática, quando fala em “novidade revolucionária”?
O Global Pipeline Award (GPA) é um prêmio anual administrado pela Pipeline Systems Division da ASME, criado para reconhecer inovações tecnológicas aplicadas a oleodutos e gasodutos. Conforme explica Paulo Roberto Gomes Fernandes, o escopo da premiação é amplo e contempla projetos, produtos, dispositivos, sistemas, serviços, metodologias ou abordagens que representem avanços relevantes na engenharia de sistemas de dutos, desde a fase de pesquisa e desenvolvimento até a aplicação comprovada em campo.
Um aspecto especialmente relevante para 2026 é que o prêmio não opera de forma isolada. Ele está inserido em um ecossistema de eventos técnicos e comunidades especializadas do setor. A própria ASME destaca que o GPA é tradicionalmente concedido durante conferências da área, com alternância entre eventos realizados em anos pares e ímpares. Esse formato reforça o caráter técnico, público e transparente da avaliação, exigindo que a inovação dialogue diretamente com profissionais envolvidos no projeto, na operação, na inspeção e na regulação de sistemas de dutos.

Quem pode indicar e como a candidatura costuma circular?
No universo da ASME, o processo de nomeação é uma etapa central da premiação. A entidade abre periodicamente uma janela para o envio de candidaturas e, em geral, permite que membros e comitês técnicos indiquem projetos ou iniciativas, sempre observando regras claras de impedimento para participantes que integrem instâncias julgadoras. Esse cuidado reforça a credibilidade e a imparcialidade do processo de avaliação.
Para quem acompanha o setor em 2026, há um ponto prático que merece atenção. O site oficial do prêmio indica prazos que variam a cada ciclo. Na última referência pública disponível na página do Global Pipeline Award, o prazo final para submissão de indicações aparece como 10 de julho de 2025, o que sugere um padrão de calendário, mas exige verificação anual, já que a data é atualizada conforme a edição. Como destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes, esse detalhe é decisivo, pois muitos projetos apresentam alto nível técnico, mas acabam perdendo a oportunidade de concorrer por falhas de governança no processo de submissão, seja por documentação incompleta ou por perda de timing.
Que valores o GPA tenta reforçar além do “inovador”?
O Global Pipeline Award não se limita a reconhecer soluções apenas por serem diferentes ou inéditas. A documentação oficial do prêmio, administrado pela ASME, descreve um conjunto amplo de objetivos que ajudam a compreender o tipo de impacto esperado das iniciativas premiadas. Entre esses objetivos estão a promoção do progresso técnico, o apoio a realizações educacionais no setor, o estímulo à troca qualificada de informações entre pesquisa e engenharia aplicada e o incentivo a atividades técnicas, como conferências, além da promoção da segurança, do bem-estar público e da preservação ambiental.
Em 2026, esse enquadramento aproxima o prêmio de temas que ocupam o centro das discussões técnicas do setor, como integridade estrutural, inspeção, confiabilidade, automação, digitalização e transição energética. A mensagem é clara: não basta ser novo. A inovação precisa ser demonstrável, escalável e responsável, com impacto mensurável sobre risco operacional e desempenho em campo. Como enfatiza Paulo Roberto Gomes Fernandes, uma candidatura consistente se constrói a partir de evidências técnicas sólidas, com demonstração de desempenho.
O que a vitória brasileira de 2011 ainda sinaliza, olhando a partir de 2026?
A conquista brasileira de 2011 permanece relevante por um motivo essencial: ela ajuda a ilustrar o tipo de inovação que o setor reconhece quando enfrenta cenários de forte restrição física e elevado risco operacional. Registros do noticiário técnico especializado apontam que a Liderroll foi premiada naquele ano por uma solução aplicada ao lançamento de dutos em ambiente confinado, especificamente em um túnel de grande extensão, onde os métodos tradicionais não se mostravam adequados às condições do projeto.
Essa referência histórica dialoga diretamente com desafios que continuam presentes em 2026, como a execução de obras complexas, prazos cada vez mais pressionados, elevados requisitos de segurança e a necessidade de incorporar inspeção e manutenção desde a concepção do projeto, e não como medidas corretivas posteriores. Por fim, para Paulo Roberto Gomes Fernandes, o principal ensinamento desse episódio é que a inovação reconhecida internacionalmente costuma compartilhar um traço comum: a capacidade de resolver gargalos reais de engenharia sem comprometer integridade estrutural.
Autor: Liam Smith

