O aumento da expectativa de vida está transformando a sociedade brasileira e tornando o envelhecimento saudável uma questão cada vez mais importante para a saúde pública. Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, acompanha uma área médica diretamente relacionada a esse processo, em que viver mais precisa estar associado à preservação da autonomia, da capacidade funcional e da participação social.
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Viver mais significa envelhecer melhor?
Durante muito tempo, aumentar a expectativa de vida foi tratado como um dos principais sinais de avanço social. A conquista continua relevante, mas trouxe uma nova pergunta: como serão vividos esses anos adicionais? Não basta considerar apenas a quantidade de anos, porque duas pessoas da mesma idade podem apresentar condições de saúde, autonomia e necessidades completamente diferentes. A forma como esses anos são vividos também passou a ser um aspecto importante quando se discute o envelhecimento da população.
O envelhecimento saudável está relacionado à possibilidade de manter capacidades que permitam à pessoa realizar atividades importantes para sua vida. Isso inclui movimentar-se, tomar decisões, cuidar da própria rotina e manter relações com outras pessoas. A presença de uma doença crônica, portanto, não significa automaticamente que o envelhecimento deixou de ser saudável. O mais importante é compreender de que maneira as condições existentes interferem na autonomia e na participação nas atividades do cotidiano.
Como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, essa perspectiva muda a maneira de pensar o cuidado. Em vez de esperar que as limitações apareçam para agir, torna-se necessário acompanhar a saúde ao longo do tempo. É essa antecipação que pode fazer a diferença entre apenas tratar problemas e criar condições para preservar a independência. O acompanhamento contínuo permite perceber mudanças na capacidade funcional e buscar medidas antes que elas comprometam de forma significativa a rotina.
O que precisa acontecer antes da velhice?
De acordo com o Doutor Yuri Silva Portela, um dos equívocos mais comuns é imaginar que o envelhecimento saudável começa quando a pessoa completa 60 anos. Na realidade, muitos fatores que influenciam a saúde na velhice são construídos durante décadas. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, vacinação, acompanhamento médico e controle de fatores de risco fazem parte de uma trajetória que começa muito antes. Por isso, hábitos mantidos ao longo da vida podem contribuir para chegar à velhice com maior capacidade de realizar atividades e lidar com as mudanças naturais da idade.

A prevenção também precisa considerar aspectos menos evidentes. Saúde mental, convivência social, acesso à informação e condições de moradia podem influenciar a maneira como uma pessoa envelhece. Assim sendo, uma estratégia baseada apenas em consultas e medicamentos não consegue contemplar todas as necessidades. Considerar esses diferentes elementos permite compreender o envelhecimento de maneira mais ampla e identificar fatores que podem favorecer ou dificultar a autonomia.
O sistema de saúde está preparado?
O crescimento da população idosa aumenta a pressão sobre os serviços de saúde. Pessoas mais velhas podem precisar de acompanhamento prolongado, atenção a doenças crônicas, reabilitação, cuidados relacionados à saúde mental e suporte para preservar a autonomia. Isso exige uma estrutura diferente daquela pensada exclusivamente para atendimentos pontuais. A organização da rede precisa acompanhar essa mudança para oferecer continuidade ao cuidado e responder às necessidades que surgem ao longo do envelhecimento.
O Doutor Yuri Silva Portela frisa que a atenção primária possui papel importante nesse cenário porque acompanha os pacientes mais próximos de suas comunidades. Unidades de saúde e equipes multiprofissionais podem identificar alterações de funcionalidade, orientar medidas preventivas e encaminhar situações que exigem avaliação especializada. Esse acompanhamento mais próximo também pode facilitar a identificação de mudanças que mereçam atenção antes que comprometam de forma significativa a rotina.
A preparação também passa pela formação dos profissionais. O conhecimento sobre envelhecimento não pode ficar restrito aos geriatras, especialmente porque o idoso circula por diferentes áreas da saúde. Quanto maior a capacidade da rede de reconhecer suas necessidades específicas, maiores são as possibilidades de oferecer um cuidado adequado. Investir nessa preparação ajuda a tornar o atendimento mais preparado para lidar com as particularidades físicas, cognitivas e sociais dessa etapa da vida.

