O fundador que ainda aprova cada compra de uma empresa com 200 funcionários é uma figura comum no ambiente de negócios. Na perspectiva de Marcio Alaor de Araujo, empresário com foco em resultados, a transição do fundador ao CEO, do empreendedor que fazia tudo para o executivo que lidera por meio de outras pessoas, é um dos desafios mais difíceis do crescimento. A mudança costuma acontecer em fases.
A fase em que o fundador faz tudo
No início, o fundador é o centro de tudo. Vende, compra, contrata, resolve problemas de clientes e cuida das finanças. A centralização é natural e, muitas vezes, necessária, porque a empresa ainda é pequena e depende da energia e do conhecimento de quem a criou.
O problema surge quando o negócio cresce e o modelo permanece. O fundador passa a trabalhar cada vez mais horas, as decisões se acumulam e a empresa avança no ritmo da capacidade de uma única pessoa. Clientes e oportunidades começam a ser perdidos por falta de resposta, e a equipe sente que não tem autonomia para agir sem consultar o dono.
A fase da primeira estrutura de gestão
O passo seguinte é formar uma primeira camada de liderança. O fundador contrata ou promove gestores para áreas como comercial, operações e financeiro, e começa a dividir responsabilidades. A transição costuma ser difícil, porque exige confiar em decisões tomadas por outras pessoas.
Conforme aponta Marcio Alaor de Araujo, muitos fundadores contratam bons gestores, mas continuam interferindo em cada detalhe. Os profissionais perdem a autonomia, deixam de assumir responsabilidades e, em alguns casos, deixam a empresa. Definir com clareza o que cada gestor pode decidir sozinho é essencial para que a nova estrutura funcione de fato.

A fase de construção de processos
Com o crescimento, a empresa precisa de processos que funcionem independentemente da presença do fundador. Planejamento estratégico, orçamento, indicadores de desempenho, políticas de pessoas e rituais de acompanhamento passam a organizar o trabalho e a substituir o controle direto.
Muitos fundadores resistem à mudança por enxergar os processos como burocracia que reduz a agilidade. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre estrutura e flexibilidade. Processos bem desenhados preservam a velocidade de decisão e reduzem a dependência de pessoas específicas, o que torna a empresa mais sólida e mais atrativa para investidores e profissionais qualificados.
A fase em que o fundador vira CEO
Na fase mais madura, o fundador muda seu papel. Deixa de ser o principal executor e passa a se dedicar à estratégia, à cultura, às relações com investidores, clientes estratégicos e parceiros, e ao desenvolvimento da equipe de liderança. O sucesso passa a ser medido pelos resultados da organização, e não pelo próprio desempenho individual.
A transição, pondera Marcio Alaor de Araujo, exige humildade para reconhecer as próprias limitações. Nem todo fundador tem perfil ou interesse para ser CEO de uma empresa grande. Alguns preferem atuar no conselho e trazer um executivo profissional para a gestão, e a escolha pode ser a melhor decisão para o futuro do negócio.
Preparar a transição do fundador ao CEO
A mudança de papel não acontece de um dia para o outro. Mentoria, programas de desenvolvimento executivo, conselhos consultivos e conversas com outros empresários que passaram pelo mesmo processo ajudam o fundador a desenvolver novas competências e a enxergar o negócio de outra perspectiva.
Como destaca Marcio Alaor de Araujo, empresas que conduzem bem a transição do fundador ao CEO preservam o que tinham de melhor, como a agilidade, a proximidade com os clientes e a cultura, e ganham a estrutura necessária para crescer. A transformação organizacional começa, muitas vezes, pela transformação de quem lidera.

