A maior parte das crises patrimoniais em empresas familiares não nasce de eventos externos imprevisíveis. Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, nota que elas nascem de decisões que não foram tomadas em vida, de estruturas que não foram construídas quando havia tempo e autoridade para construí-las e de regras que nunca foram estabelecidas porque ninguém queria ter a conversa difícil que sua elaboração exigiria. A governança estruturada em vida não é uma precaução para quem teme o pior; é uma decisão estratégica de quem compreende que o melhor momento para definir as regras do jogo é exatamente quando ninguém está sob pressão para aceitá-las.
Por que momentos de crise são os piores para tomar decisões patrimoniais?
Decisões tomadas sob pressão raramente produzem os melhores resultados, e no campo do planejamento patrimonial essa regra é especialmente verdadeira. Conforme pondera Rodrigo Gonçalves Pimentel, quando um evento crítico como a doença grave do fundador, um conflito familiar aberto ou uma disputa societária já está instalado, o espaço para construir uma arquitetura de governança racional e tecnicamente bem estruturada se reduz drasticamente. As partes envolvidas estão emocionalmente comprometidas, os interesses já estão em tensão e qualquer instrumento constituído nesse contexto carrega o risco de ser questionado posteriormente quanto à sua legitimidade e à sua real finalidade.

Há ainda o problema do tempo. Instrumentos como a holding familiar, o acordo de sócios e o protocolo familiar precisam ser construídos, discutidos e formalizados em um processo que não pode ser comprimido sem perda de qualidade. Quando a necessidade já se impôs de forma urgente, o tempo disponível para fazer esse processo com o rigor técnico que ele exige simplesmente não existe, e o resultado tende a ser uma estrutura incompleta que oferece proteção parcial exatamente nos pontos em que a proteção mais seria necessária.
O que significa estruturar a governança enquanto o fundador ainda segura a caneta?
Estruturar a governança em vida significa exercer, enquanto ainda se tem autoridade plena para isso, o poder de definir as regras que vão orientar o patrimônio familiar depois que essa autoridade não estiver mais disponível. Na concepção de Rodrigo Gonçalves Pimentel, o fundador que constrói a holding familiar, constitui o conselho de administração, redige o acordo de sócios e elabora o protocolo familiar está fazendo exatamente isso: traduzindo sua visão sobre como o patrimônio deve ser gerido, protegido e transmitido em instrumentos jurídicos que continuarão produzindo efeitos muito depois de sua saída.
Essa é a diferença fundamental entre ser o último dono de uma empresa e ser o primeiro arquiteto de uma dinastia. O fundador que age antes da crise chegar não está se preparando para morrer; está garantindo que o que construiu continue vivo e funcionando independentemente de qualquer evento que venha a ocorrer. A caneta que assina os instrumentos de governança hoje é a mesma caneta que define o destino do patrimônio por gerações, e ela só tem esse poder enquanto o fundador ainda a segura com plena autoridade.
Como iniciar o processo de estruturação da governança sem adiar mais?
O principal obstáculo à construção da governança em vida raramente é técnico; é emocional. Rodrigo Gonçalves Pimentel aponta que fundadores frequentemente adiam essas conversas porque elas evocam temas que preferem não enfrentar: a própria finitude, a possibilidade de conflito entre os filhos e a necessidade de admitir que o negócio precisa de uma estrutura que funcione sem eles. Superar esse adiamento exige reconhecer que a conversa difícil feita hoje em um contexto de harmonia é infinitamente menos dolorosa do que a conversa impossível que precisará ser feita amanhã em um contexto de crise.
Acesse informações sobre como iniciar esse processo com o suporte técnico adequado e transforme o planejamento em ação antes que a necessidade se imponha. Famílias que dão esse primeiro passo com antecedência descobrem que o processo de construção da governança, longe de ser a conversa temida, é frequentemente a oportunidade de alinhar expectativas, fortalecer relações e construir coletivamente as bases de uma estrutura patrimonial que todos os membros da família compreendem, aceitam e se sentem responsáveis por preservar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

