No último domingo, 16 de março de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro realizou uma manifestação em Copacabana, no Rio de Janeiro, que ficou marcada pela baixa adesão do público. Com uma expectativa inicial de reunir cerca de 1 milhão de pessoas, o evento atraiu apenas 18,3 mil participantes, segundo estimativas da Universidade de São Paulo. Essa queda significativa em relação a protestos anteriores, como o de 7 de setembro de 2022, onde mais de 64 mil pessoas compareceram, levanta questões sobre a atual influência de Bolsonaro e a mobilização de seus apoiadores.
Durante o ato, Bolsonaro subiu ao trio elétrico e reiterou seu discurso de suposta perseguição por parte do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele afirmou que, se estivesse no Brasil durante os eventos de 8 de janeiro, poderia ter enfrentado consequências graves, insinuando que sua ausência foi um fator que o salvou de uma possível prisão. Essa narrativa de vitimização tem sido uma constante em seus discursos, refletindo uma estratégia de mobilização que busca galvanizar seus apoiadores em torno da ideia de que ele é alvo de uma conspiração política.
O contexto da manifestação é ainda mais relevante, pois ocorre às vésperas de uma decisão crucial da Primeira Turma do STF, que deve decidir se Bolsonaro se tornará réu por sua suposta participação em uma trama golpista. As acusações contra ele incluem liderança de organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A proximidade desse julgamento pode ter influenciado a urgência do ato, embora a baixa participação sugira uma diminuição do fervor entre seus apoiadores.
Além de Bolsonaro, outros aliados, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o senador Flávio Bolsonaro, também marcaram presença no evento. O pastor evangélico Silas Malafaia, conhecido por seu apoio ao ex-presidente, usou seu tempo de fala para criticar o ministro Alexandre de Moraes, chamando-o de “ditador” e acusando-o de extrapolar suas funções. Essas declarações refletem um clima de polarização e hostilidade em relação às instituições democráticas, que tem sido uma característica marcante do discurso bolsonarista.
A manifestação em Copacabana não apenas expõe a fragilidade do apoio popular a Bolsonaro, mas também destaca a crescente tensão entre o ex-presidente e o sistema judiciário. A retórica de perseguição e vitimização pode ser uma tentativa de mobilizar sua base, mas a realidade dos números sugere que essa estratégia pode estar perdendo eficácia. A diminuição do público presente é um indicativo de que a narrativa de Bolsonaro pode não ressoar tão fortemente quanto antes.
A situação política no Brasil continua a ser marcada por incertezas, e a manifestação de Copacabana é um reflexo das divisões profundas que permeiam a sociedade. Enquanto Bolsonaro tenta reafirmar sua relevância política, a resposta do público e a reação das instituições são cruciais para determinar o futuro de sua influência. O ato esvaziado pode ser um sinal de que a população está se afastando de discursos polarizadores e buscando alternativas mais construtivas.
À medida que o julgamento se aproxima, a pressão sobre Bolsonaro e seus aliados aumenta. A possibilidade de se tornar réu em um caso de grande repercussão pode ter implicações significativas para sua carreira política e para o futuro do bolsonarismo no Brasil. A manifestação em Copacabana, portanto, não é apenas um evento isolado, mas parte de um contexto mais amplo de luta pelo poder e pela narrativa política no país.
Em suma, a manifestação de Bolsonaro em Copacabana revela tanto a fragilidade de seu apoio popular quanto a persistência de uma retórica de vitimização. O futuro político do ex-presidente e a resposta das instituições democráticas serão determinantes para o desenrolar dos eventos nos próximos meses. A polarização continua a ser um desafio, e a capacidade de Bolsonaro de mobilizar seus apoiadores será testada em um cenário cada vez mais complexo e dinâmico.
Autor: Liam Smith
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital